7 janeiro, 2010 às 6:50 pm (Dadica, Stream-of-consciousness, angústia)
Tags: angústia, comunicação, literatura, rotina, utopia

No deslumbre de ser multiplicado
Sendo vários e sendo um
Vejo o próprio rosto de enfado
Da velhice novidadeira que vem e zum
rapidamente apossa-se
num poço de podridão reverto o nada
apenas penso, sonho que realmente sou múltiplo
acredito que seja
cada dia acordo diferente
este post foi zero pensado
é apenas uma constatação frustrada
será que alguém ainda passa aqui?
no ar com íris no arco-íris
na dicotomia pebê
no saber ser você
Dadica
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23 novembro, 2009 às 2:35 pm (Sombr-1-o, Stream-of-consciousness, angústia)
Tags: afogado, angústia, água, fundo, mar, ribeirão, rio, rotina, sonho, suícidio, utopia

Nada é sonho. Quando estamos debaixo d´água. Afogados na ilusão que o topo é a saída. De nada adianta nadar até a outra margem do rio.
Mesmo perspicazes, às vezes eu e meus companheiros apenas remamos contra a maré. Ao contrário do que diz o ditado: quando a água bate na bunda não necessariamente aprendemos a nadar.
Morremos afogados, com uma pedra amarrada a nossos pés. Direto para o fundo, para o fundo de um poço sem fundo.
Enquanto outros brilham como o sol acima da linha d´água, permanecemos inertes, deitados, respirando lama. Solertes, desmiolados, sonhando com a superfície. Supérfluos, pedras, cascalhos no assoalho do ribeirão.
Postado por Sombr-1-o
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16 outubro, 2009 às 9:54 pm (G-Shakespear, poema, poesia, sessão-resgate)
Tags: amor, couro, eca, namorada, pizza, poema, poesia, rap, sexo, tesouro

Suma!
Vire fatia de pizza
Nem adianta me atiçá
Quiçá dar no meu couro
Nem pintada de ouro
Eu quero mais te ver
Tu que era meu tesouro
O melhor é me esquecer
Meu amor…
Peguei eca de você
Criado num momento cretino por G-Shakespear
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20 agosto, 2009 às 8:16 pm (Uncategorized)

Conto do Mangue I
– Desplugue o estabilizador.
O que se seguiu foi uma intensa onda de instabilidade.
Conto do Mangue II
– Sai, que eu já não te quero mais!
– Não.
Pausa.
– Ah, então tá…
Conto do Mangue III
A kombi passava, buzinando e roncando. Ultrapassou o sinal vermelho, atropelou três transeuntes, e caiu de cima da ponte rio-niterói sobre um pequeno barco pesqueiro.
por Pedrim Peroba
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12 agosto, 2009 às 11:35 pm (Barbazul, angústia, drogas, homens-do-pântano, sessão-resgate)
Tags: conto, drogas, escravidão, homens-do-pântano, poema, suícidio, utopia

No Pântano, que afinal é tudo que sobrou, convivemos ombro a ombro com uma geração teleguiada. Telepaumandada,teleemburrecida, que tem mais é que se fuder mesmo. Verdadeiros espíritos que vagam perdidos num limbo interdimensional, palhaços sem rumo. Cegos num pântano enfumaçado pelos vapores psicopoluidores.
Jogado às traças por Barbazul
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12 agosto, 2009 às 12:26 am (Sombr-1-o, angústia, drogas, sessão-resgate)
Tags: conto, drogas, escravidão, homens-do-pântano, poema, suícidio, utopia

Adora a droga agora
Agoura a dor na hora
Embora a grana fora
Um dólar que grita:
Fora!
Cuspido por Sombr-1-o
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6 agosto, 2009 às 6:35 pm (Lendas do Pântano, sessão-resgate, tandera)
Tags: conto, distopia, futuro, homens-do-pântano, jacarepaguá, lenda, literatura, monstro, pântano, rio-de-janeiro
Em determinado momento a maioria já havia perecido. O céu cor de ocre deixava de ser apenas um delírio tornara-se há muito realidade. O ar rareava, lutavam os pulmões. Tinham sido avisados pelos ouvidos. Ouviram perfeita e claramente um som límpido e cristalino quanto límpido e cristalino pode ser o som. Ouviram e compreenderam as velhas novidades que os cientistas da Organização pregavam. Ouviram e ignoraram. Agora agonizam mutantes embaixo do horizonte plúmbeo.
Adaptaram-se as criaturas. A partir de então moléstias proliferaram-se, deram novo significado à palavra vida. Tão numerosas e diferenciadas entre si eram as espécies de arbovírus que de lá pra cá grassaram livremente pela superfície do planeta que tornou-se impossível distinguir entre a referida vida e seu oposto, a tal da morte. Espécies e subspécies se confudiram, mesclaram e fundiram-se.
O saber sofreu um baque, filósofos debateram o assunto por dezenas de séculos em sua incessante busca. A vida havia sido alterada na sua própria essência. Os que ainda debatiam esta condição o faziam ao lutar pela manutenção da mesma neste surrealista status quo que havia se tornado a vida.
Mantinham-se juntos nos poucos habitáculos que ainda permitiam atividade neurológica de alguma forma. Fora das Cidadelas era praticamente impossível distinguir um reles palmo a sua frente, quanto mais manter sua estrutura molecular intacta.
No início eram duas Cidadelas batizadas geograficamente como Leste e Oeste. Os orientais não mantiveram sua subsistência nos primeiros decênios do século $#&% e desapareceu todo o lado leste. Ironicamente, contam as lendas, que as palafitas afundaram num mar de enxofre.
Subsiste ainda a Cidadela Oeste.
Tandera, abrindo os portais do Pântano

- Na imagem colhida pelos pincéis mágicos de Pedrim Peroba contemple o que sobrou da Cidadela Oriental
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5 agosto, 2009 às 2:59 am (Barfly, Lendas do Pântano, sessão-resgate)
Tags: barra, contos, histórias, homens-do-pântano, jacarepaguá, lendas, literatura, livros, manaus, marependi, pântano, pescador, rio-de-janeiro
Cabutá era filho de um índio pescador que veio de Manaus. O velho morreu de câncer de próstata e o deixou por aqui sozinho, em meio à perversidade linda que é o Rio de Janeiro. No canal Marapendi o jovem tirava seu sustento, mas os peixes há muito não apareciam. Decidiu, em um fim de tarde fresco, ir às margens para catar caranguejos e afins, e adoecido de fome e com os ossos fracos, tombou nas águas escuras e poluídas.
Logo foi cercado por um vasto contigente de GIGOGAS que foram não só se nutrindo dos podres nutrientes da água, e sim também do sangue e tecido marcado de Cabutá. A dor era imensa e o índio gritava e gritava, mas os jovens que passavam em seus carros importados logo acima, em uma ponte, não o ouviam e aceleravam em direção às luzes da Barra da Tijuca.

Cabutá não escolheu, ele nasceu
Ali abaixo, no escuro torpe e fétido, a natureza se transformava, dando nova vida ao corpo que já não era mais humano. A ira provida por um cérebro contaminado pela marginalização e pelos piores excrementos industriais e animais, movia uma massa esverdeada e grotesca para fora do lago. A fome é enorme e esta nova criatura, ainda não catalogada por ocultistas e biólogos, precisa muito se alimentar. A qualquer custo. E o alimento, que poderá ser a carne humana tenra e suculenta, com certeza será mais prazeroso, pois um sentimento íntimo de vingança surgirá.
Leandro Barfly
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22 julho, 2009 às 8:03 pm (Stream-of-consciousness, angústia, drogas)
Tags: comunicação, novidades, utopia

No caminho do desbravamento, achamos o mal e o tormento. Da borda da caravela avistamos que a nave vai, todavia apenas o mais esperto pode decretar: Sim, podemos ver a luz no fim do túnel. Um lampejo, uma visão dum futuro mais límpido. Não, só temos trevas. Temo que tementes à um besta deus continuemos assim nesse caminho sem fim. Pendurados na amurada, observando enquanto as nuvens se reposicionam apenas sonhando.
No balanço de cada cumulos-nimbus ficamos imbuídos de obedecer a um abecedário sem pé nem cabeça. Uma ensebação completa. Ao invés de mirarmos o navio a ser abordado, como bons piratas psiquícos que somos, não, como tontas bestas ficamos a rodar, a rodar, a rodar, qual escaravelho on acid.
Depois de muito pensar cabisbaixo. Levanto-me, peço um abraço. Tenho tanto apreço pelo que é mesmo. Pelo que vale o quanto pesa, pela verdade bendita. Por todas as maldições sinceras que já roguei. Tudo isso na minha balança. Contrapesos a parte, este quilo de minha própria carne continua a ser fatiado. Dioturnamente ofereço-te um naco de meu próprio bife.
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15 julho, 2009 às 5:42 pm (angústia, homens-do-pântano, música, poema, poesia, rap, rock, show)
Tags: angústia, brasil, brazil, homens-do-pântano, poema, poesia, pop, rio-de-janeiro, show, suícidio, utopia

Feliz é o burro
Que não sabe o que é bom
Feliz é o novo
Que não vive o que é ruim
Feliz não existe
Só existe ser triste
Fiel à infelicidade
meu dedo em riste
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