Post fresco novo em folha

No deslumbre de ser multiplicado

Sendo vários e sendo um

Vejo o próprio rosto de enfado

Da velhice novidadeira que vem e zum

rapidamente apossa-se

num poço de podridão reverto o nada

apenas penso, sonho que realmente sou múltiplo

acredito que seja

cada dia acordo diferente

este post foi zero pensado

é apenas uma constatação frustrada

será que alguém ainda passa aqui?

no ar com íris no arco-íris

na dicotomia pebê

no saber ser você

Dadica

No fundo do Rio, choro

Nada é sonho. Quando estamos debaixo d´água. Afogados na ilusão que o topo é a saída. De nada adianta nadar até a outra margem do rio.

Mesmo perspicazes, às vezes eu e meus companheiros apenas remamos contra a maré. Ao contrário do que diz o ditado: quando a água bate na bunda não necessariamente aprendemos a nadar.

Morremos afogados, com uma pedra amarrada a nossos pés. Direto para o fundo, para o fundo de um poço sem fundo.

Enquanto outros brilham como o sol acima da linha d´água, permanecemos inertes, deitados, respirando lama. Solertes, desmiolados, sonhando com a superfície. Supérfluos, pedras, cascalhos no assoalho do ribeirão.

Postado por Sombr-1-o

Peguei eca!

pizza

Suma!
Vire fatia de pizza
Nem adianta me atiçá
Quiçá dar no meu couro

Nem pintada de ouro
Eu quero mais te ver
Tu que era meu tesouro
O melhor é me esquecer

Meu amor…
Peguei eca de você

Criado num momento cretino por G-Shakespear

CONTOS LODISTAS ULTRA-MÍNIMOS

Conto do Mangue I
– Desplugue o estabilizador.
O que se seguiu foi uma intensa onda de instabilidade.

Conto do Mangue II
– Sai, que eu já não te quero mais!
– Não.
Pausa.
– Ah, então tá…

Conto do Mangue III
A kombi passava, buzinando e roncando. Ultrapassou o sinal vermelho, atropelou três transeuntes, e caiu de cima da ponte rio-niterói sobre um pequeno barco pesqueiro.

por Pedrim Peroba

ESPÍRITOS

bozo

No Pântano, que afinal é tudo que sobrou, convivemos ombro a ombro com uma geração teleguiada. Telepaumandada,teleemburrecida, que tem mais é que se fuder mesmo. Verdadeiros espíritos que vagam perdidos num limbo interdimensional, palhaços sem rumo. Cegos num pântano enfumaçado pelos vapores psicopoluidores.

Jogado às traças por Barbazul

DORES

Adora a droga agora
Agoura a dor na hora
Embora a grana fora
Um dólar que grita:
Fora!

Cuspido por Sombr-1-o

DE COMO SURGIU A CIDADELA OESTE:

Em determinado momento a maioria já havia perecido. O céu cor de ocre deixava de ser apenas um delírio tornara-se há muito realidade. O ar rareava, lutavam os pulmões. Tinham sido avisados pelos ouvidos. Ouviram perfeita e claramente um som límpido e cristalino quanto límpido e cristalino pode ser o som. Ouviram e compreenderam as velhas novidades que os cientistas da Organização pregavam. Ouviram e ignoraram. Agora agonizam mutantes embaixo do horizonte plúmbeo.

Adaptaram-se as criaturas. A partir de então moléstias proliferaram-se, deram novo significado à palavra vida. Tão numerosas e diferenciadas entre si eram as espécies de arbovírus que de lá pra cá grassaram livremente pela superfície do planeta que tornou-se impossível distinguir entre a referida vida e seu oposto, a tal da morte. Espécies e subspécies se confudiram, mesclaram e fundiram-se.

O saber sofreu um baque, filósofos debateram o assunto por dezenas de séculos em sua incessante busca. A vida havia sido alterada na sua própria essência. Os que ainda debatiam esta condição o faziam ao lutar pela manutenção da mesma neste surrealista status quo que havia se tornado a vida.

Mantinham-se juntos nos poucos habitáculos que ainda permitiam atividade neurológica de alguma forma. Fora das Cidadelas era praticamente impossível distinguir um reles palmo a sua frente, quanto mais manter sua estrutura molecular intacta.

No início eram duas Cidadelas batizadas geograficamente como Leste e Oeste. Os orientais não mantiveram sua subsistência nos primeiros decênios do século $#&% e desapareceu todo o lado leste. Ironicamente, contam as lendas, que as palafitas afundaram num mar de enxofre.

Subsiste ainda a Cidadela Oeste.

Tandera, abrindo os portais do Pântano

Na imagem abaixo, colhida pelos pincéis mágicos de Pedrim Peroba contemple o que sobrou da Cidadela Oriental
Na imagem colhida pelos pincéis mágicos de Pedrim Peroba contemple o que sobrou da Cidadela Oriental

E NASCE MAIS UMA LENDA: CABUTÁ

Cabutá era filho de um índio pescador que veio de Manaus. O velho morreu de câncer de próstata e o deixou por aqui sozinho, em meio à perversidade linda que é o Rio de Janeiro. No canal Marapendi o jovem tirava seu sustento, mas os peixes há muito não apareciam. Decidiu, em um fim de tarde fresco, ir às margens para catar caranguejos e afins, e adoecido de fome e com os ossos fracos, tombou nas águas escuras e poluídas.

Logo foi cercado por um vasto contigente de GIGOGAS que foram não só se nutrindo dos podres nutrientes da água, e sim também do sangue e tecido marcado de Cabutá. A dor era imensa e o índio gritava e gritava, mas os jovens que passavam em seus carros importados logo acima, em uma ponte, não o ouviam e aceleravam em direção às luzes da Barra da Tijuca.

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Cabutá não escolheu, ele nasceu

Ali abaixo, no escuro torpe e fétido, a natureza se transformava, dando nova vida ao corpo que já não era mais humano. A ira provida por um cérebro contaminado pela marginalização e pelos piores excrementos industriais e animais, movia uma massa esverdeada e grotesca para fora do lago. A fome é enorme e esta nova criatura, ainda não catalogada por ocultistas e biólogos, precisa muito se alimentar. A qualquer custo. E o alimento, que poderá ser a carne humana tenra e suculenta, com certeza será mais prazeroso, pois um sentimento íntimo de vingança surgirá.

Leandro Barfly

No navio

Warship_2

No caminho do desbravamento, achamos o mal e o tormento. Da borda da caravela avistamos que a nave vai, todavia apenas o mais esperto pode decretar: Sim, podemos ver a luz no fim do túnel. Um lampejo, uma visão dum futuro mais límpido. Não, só temos trevas. Temo que tementes à um besta deus continuemos assim nesse caminho sem fim. Pendurados na amurada, observando enquanto as nuvens se reposicionam apenas sonhando.

No balanço de cada cumulos-nimbus ficamos imbuídos de obedecer a um abecedário sem pé nem cabeça. Uma ensebação completa. Ao invés de mirarmos o navio a ser abordado, como bons piratas psiquícos que somos, não, como tontas bestas ficamos a rodar, a rodar, a rodar, qual escaravelho on acid.

Depois de muito pensar cabisbaixo. Levanto-me, peço um abraço. Tenho tanto apreço pelo que é mesmo. Pelo que vale o quanto pesa, pela verdade bendita. Por todas as maldições sinceras que já roguei. Tudo isso na minha balança. Contrapesos a parte, este quilo de minha própria carne continua a ser fatiado. Dioturnamente ofereço-te um naco de meu próprio bife.

São Rock Damião e outras coisitas más

SRD_DIA1907_verde

Feliz é o burro

Que não sabe o que é bom

Feliz é o novo

Que não vive o que é ruim

Feliz não existe

Só existe ser triste

Fiel à infelicidade

meu dedo em riste

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