O som, o sol e suas centelhas indiscretas

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No devaneio do lírico inferno, resta apenas a fama morta. Resta somente o espúrio som do grave ribombando. Domina seus tímpanos e ressoa através de sua caixa craniana.  Perguntamos todos ostensivamente quem é o responsável. Se nem nós mesmos podemos responder, como eleger líderes competentes? Na esquina sombria, solucionamos diagramas, palavras-cruzadas, passatempos diferenciados. Foco no correto, desfocamos o incerto. Miramos no alerta vermelho, desfiguramos o código-morse. Morte, morte, será que ela é tão forte. Unhas de acrílico desmedido. Rompemos o coração do bandido. O sangue espirra, DJ Sany Pitbull solta as batidas muito antes reprimidas. O rock é dionisíaco. Afrodisíaco, africana mente, ditaduras diferentes aniquilam muita gente. Solta um quilo de carne quente. O ouvido ouve o som. O som surda o surto do ruminante fingido. Um rinoceronte arranca como uma máquina de mil cavalos. Espirra, olha-te de soslaio. Repugna-se ao descobrir que nada, nada será transcendente. A música que fazemos, as letras que cantamos, os restos que vamos deixando pelo caminho. Nada disso será bastante. Nada. A ilusão da plenitude é apenas o que basta. Ela nos leva como folhas no vento na direção do infinito utópico. Mas para quê tudo isso?

Postado por Van Gosling

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