A Lenda de Negozul

( Como contada por Negobantu e Negocongu)

Extraído dos Contos Antigos do Pântano, vol III

As inúmeras lendas em torno da entidade Negozul são tão turvas quanto a própria história da África. Costumeiramente narrada através das bocas estrangeiras, a incrível saga do povo africano vem sendo através das épocas afastada de suas raízes por interlocutores ora mal informados ora mal intencionados.

Possivelmente a confusão em torno da entidade Negozul resida exatamente neste ponto. A multiplicidade de versões sobre sua existência através dos séculos se confunde com a própria essência multifacetada do continente negro

Talvez seja esta mesmo a missão de Negozul: contar a história do ponto de vista de quem a viveu, acabando com os mal entendidos. Ou não. Paradoxalmente, a confusão em torno do mito pode também significar que não existe apenas uma história e sim milhões delas, que unidas, contribuem para formar o grande arcabouço cultural africano.

Misto de orixá e lenda urbana, a entidade pode apresentar diversas formas e não precisa de “cavalo” para incorporar. Essa característica marcante talvez seja o diferencial de Negozul, normalmente atrelado ao plano metafísico e não ao campo místico.

Materializa-se na proximidade de ocasiões importantes, sempre junto com uma nuvem de fumaça azul-acinzentada e um grave ribombar de percussões. Sua passagem costuma ser sucinta e intensa. Chega trazendo notícias surpreendentes, conta antigas histórias e influencia em decisões dos que estiverem em sua área de influência.

Some sem deixar rastro e nem sempre se faz perceber já que nem todos as pessoas que estabeleceram contato sabem explicar minuciosamente o acontecido. Diversas correntes étnicas africanas, e suas respectivas descendências miscigenadas, já relataram contatos com Negozul.

Não se sabe ao certo de onde surgiu o nome Negozul. Explicações distintas povoam o imaginário popular. Uma corrente jura de pés juntos que a denominação é uma contração das palavras negro e azul. Outras vertentes asseguram que o nome é este em virtude da sufixo Zul significar força num antigo dialeto sudanês.

Uma terceira explicação diz que Negozul é o antigo espírito de um sacerdote-músico, um alabê, já que na cultura africana em geral o som é o condutor de axé (força).

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