A propósito do fim do infinito

Existe algo pior do que iniciar a leitura de um texto já sabendo que não ele não se concluirá? O que diabos pode ser pior do que isso? Depende do ponto de vista do observador já que o próprio conceito de fim absoluto é difuso. Então, caro leitor, desculpo-me antecipadamente se julgares encontrar um abrupto (e ilógico) fim no meio da cadeia dos pensamentos que retiras deste amontoado de letras.

É a ansiedade a causadora disso tudo. Alguma conexão disfarçada nos meus mais escondidos recônditos é a culpada dessa obrigatoriedade de finalizar o que foi começado. Ainda hei de achar o neurônio que sonega-me esta informação e dar-lhe uma surra de pau.

Ainda assim, será que o trabalho pela metade também não é trabalho. Por exemplo, meio muro de alvenaria tem serventia?

Acho que sim. Servirá pelo menos para impedir a bisbilhotice dos mais baixinhos. É um serviço completo todavia? Depende do que foi o objetivo traçado. Se levarmos em conta que o objetivo de nosso pedreiro virtual era erguer uma réplica da muralha da China então temos um retumbante fracasso. Porém se nosso amigo colocador de tijolos estivesse apenas fazendo uma lúdica brincadeira de misturar argamassa com blocos de concreto a história seria outra.

Serei eu o errado? O insatisfeito. Precisarei medir minha própria insatisfação? Qual é a escala mais apropriada para delimitar tamanho objeto. Quanto mais nojento melhor, ou será o contrário?

Transitar entre o retumbante fracasso e o sucesso espetacular faz parte da própria condição humana. Pelo menos é o que parece. Medir a extensão da completude dos atos é que é a obsessão complicadora. Quase esquizofrênico, o homem quer medir, esquadrinhar, criar parâmetros e comparar. Escalas se sobrepõem através dos séculos.

E seguimos, medindo e traçando as tangentes limítrofes. São metros, braças, nós, praças, cúbitos, vocês, estúpidos, velozes quilômetros e vorazes mitômanos.

Um beijo do Paralax.

Anúncios

2 comentários em “A propósito do fim do infinito

  1. só uma curiosidade pra compartilhar aqui: Camus morreu num acidente de carro e encontraram em seus pertences o manuscrito de “o primeiro homem”, um romance autobiográfico. irônias a parte, havia uma anotação dele no texto, dizendo que o romance deveria terminar inacabado… não sei até q ponto é ruim começar escrevendo algo sem terminar de puxar o fio, mas isso certamente possibilita a abertura de diversas respostas e próprias verdades por parte do leitor. e isso, camarada, faz parte do ato de nos comunicar. de alguma forma faz! bjs.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s