A tragédia final

Eu sinto que a tragédia final se aproxima rapidamente. Será lenta e constante. Não irromperá fulminante como um raio. Virá devagar mas virá logo. Um arbovírus violento dizimará dezenas, centenas, milhares. O grande problema da humanidade é achar que tem imunidade as suas próprias irresponsabilidades.  Já dizia o sábio István Mészáros, filósofo húngaro: “A ideia de crescimento eterno continua a ser a mitologia do nosso tempo.”

Tenho as certezas porque eu sou deus, não adianta se irritar com as barbaridades aqui cometidas. Essa certeza ignóbil e arrogante que arroto é sincera. Nossa divindade é apenas a consequência da lógica ilógica do planeta terra. A vida é um milagre terno, um milagre terreno. Nossa tênue existência está fadada ao fracasso mas é mágica. Nesse paradoxo intenso vivemos equilibrados como Zaratustra nas primeiras páginas de sua saga.

A simplicidade da morte é o símbolo maior de nossa estada aqui. Como sou superior porém igual a vocês, nem sempre consigo me fazer compreender. Demonizo os arautos religiosos pois eles não apresentam nenhuma capacidade de religar ninguém a nada. Apenas um controle asqueroso, uma manipulação barata. Aqui não violão.

Somos muitos e não paramos nem um minuto de modificar este reles planetinha. O capitalismo é a mais competente máquina de eficiência que já criamos. Dá conforto e gera destruição, meritocratiza tudo e todos e relega os párias a mendicidade. É fantástico enquanto poderosa bomba atômica. Na dialética tensa de sua loucura crescente muitas vezes me pego perguntando. Para quê tudo isso?

Não tente nos igualar pois é na diferença que crescemos, não tente diferenciar-nos pois é na igualdade que grassamos por esse mar de lama. Com a boca cheia de formigas, mastigamos pequenos insetos e nos perguntamos: Alimentamo-nos da morte alheia…Irei eu pro céu ou pro beleléu?

Quando sou parte desta engrenagem maldita que gera tanto sangue, sigo como autômato sacando macetes de inteligência competitiva. Mascarando espionagem funesta que perscruta os caminhos mais diversos na hora de sacar na boca oca do caixa automático. Dólares, dinares, débeis mentais movidos a moedas. Dinheiro desce a ladeira mas não responde pergunta.

O primeiro cadáver seguirá fedendo na sarjeta esquecido como um animal morto. Os animais estão dando o aviso. Feridos eles são os esquecidos, todavia como verdadeiros donos do pedaço vivem a nos mostrar que estamos no caminho errado. Não tá escutando cara? Não consegue ouvir o grito dos jacarés tendo seu couro arrancado, as capivaras alvejadas a tiro, os colhereiros com suas penas desbotadas, os gambás mutilados pelos pneus carecas reprovados em vistorias babacas. Não tá vendo? Tu tá cego cara? Não quer ver né.

Sem problemas, breve o próximo verme putrefacto andará sorridente por sua carne podre. Mordiscará as bordas suculentas de seu crânio limpo de pensamentos. Beliscará cada pedacinho de pele pendente de suas feridas abertas. Estas chagas latentes não te ensinarão nada pois você estará morto, falecido por um vírus desconhecido lascinante, capaz de apodrecer suas vísceras em três dias.

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Um comentário em “A tragédia final

  1. O fim está próximo de todos
    O fim depressa chegará
    Lutar! Para que serve??
    Se o mal já está latente dentro de nós!

    Um abraço, desta amiga, um pouco distraída nas visitas, eheheh

    Carlota Pires Dacosta

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