Lamento lambido

Sinto o cheiro do azul decorado
todas as estrelas brilhantes que brilham ao meu lado
saltitam em meu ouvido caro amigo
sou bandido das palavras
grou chinês antigo
um perigo

trago a sabedoria duvidosa
a beleza na formosa via errada
moderno é gay esquisito com cabelo colorido,
meu nome é van gosling eu sou bonito
vim das colinas mais distantes
nas mãos os diamantes
daqueles que controlam mentes
trago o suco da morte
tem a cor da sua alma
que o sabor mais forte
do marrom mais fosco mais cinzento
espalhado pelo chão no crime violento
não é nada mais não é nada não é máfia
não é nada que é normal que é legal ou ilegal
livre favelização da gás para as máfias
mentiras delícias milícias malícias

quanta maledicência grudada caro poeta
seicentas tranqueiras numa fedorenta buceta
entendo bem este nobre vil sentimento de amargor

travor na língua, aguá verde abacate gatorade verde-limão
cianobactérias proliferam-se na minha língua
como crocodilos pulam das pupilas gustativas
amarga tentantiva de ser morta e ser viva
no pântano na sombra vivo a via destemida

certo dia solitário
estudo o eu obtuso
e descubro que o eu verdadeiro
é maior
é melhor
entendo o ontem, o hoje e principalmente
que o amanhã não existe

maldita insatisfação
bendita indagação
na mesma onda
sempre surfarás
mas o mar sempre
será outro

vida, ó vida vadia
bandida, bendita vida
vi através da vitrine
a alma vazia
que passava
vi o vasto mundo
não a importunava
sê livre mané
só isso

poeta imperfeito
o futuro não existe
foda-se se ele é triste
não faça desfeita
desse vez se enjeita
seja deusa ou dona ou dama
seja mais do que a palavra
saiba que o passado é ilusão
pobres planos,são
migalhas na poeira
do infinito
o presente é mais bonito
saiba disso
tenho dito

pela primeira vez editado, Van Gosling cospe forte

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Dica Filme Cinema Tolstói – A Última Estação


poster internacional

Uma biopic de Tolstói centrada nos últimos meses de sua prolífica e longeva vida.

Atuações soberbas de Christopher Plummer como o escritor e filósofo russo e de Helen Mirren como sua esposa, a Condessa Sofya.  James McAvoy e Paul Giamatti também estão bem.

Em linhas gerais mostra a divisão de Tolstói entre a pregação de sua “doutrina” e a vida que levava. De um lado, seus discípulos e de outro sua mulher. Dividido, o escritor sempre surpreende.

Baseado no livro do americano Jay Parini, que por sua vez se baseou nos vastos arquivos e diários dos retratados na película.


poster brasileiro

Comentário do Arthur Xexéo, que assim como eu, curtiu o filme

http://oglobo.globo.com/cultura/xexeo/posts/2010/09/24/festival-do-rio-vale-pena-ver-ultima-estacao-327332.asp

Wikipedia do filme

http://en.wikipedia.org/wiki/The_Last_Station

Site oficial do filme

http://www.sonyclassics.com/thelaststation/

Vidas Secas

Numa dica paradoxal para se ler no nosso querido e úmido Pântano recomendaremos hoje o clássico Vidas Secas do escritor alagoano Graciliano Ramos.

http://www.graciliano.com.br/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Graciliano_Ramos

Vidas Secas é o quarto livro de Graciliano e foi publicado em 1938. Verdadeiro poema em prosa conta com sua linguagem ultra brasileira as desventuras duma família errante pelo sertão nordestino.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vidas_Secas

Uma história cativante, comovente, verossimilhante, política e principalmente humana. Graciliano conta-nos como o ciclo da seca inclemente influencia e mesmo molda a vida dos nordestinos de sua época e de hoje também. Um livro que nos ajuda e entender o Brasil de hoje e de ontem.

Inspirou também um filme do diretor Nélson Pereira dos Santos de 1963

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vidas_secas_%28filme%29

Para completar retiro da contracapa da 29ª edição um trecho escrito pelo prefaciador Álvaro Lins que resume o espírito do livro:

“Além de ser o mais humano e comovente dos livros de ficção do Sr. Graciliano Ramos, VIdas Secas é  o que contém maior sentimento da terra nordestina, daquela parte que é áspera, dura e cruel, sem deixar de ser amada pelos que a ela estão ligados telúricamente. O que impulsiona o seres desta novela, o que lhes marca a fisionomia e os caracteres, é o fenômeno da seca.”

Dica de leitura – Folhas na Relva

Há tempos que aqui não colocamos uma dica de leitura. Pois bem, como alguns sabem aqui no Pântano lemos compulsivamente. Ultimamente Jorge Luís Borges, Herman Melville e Edgar Allan Poe tem sido meus fiéis compánheiros. Todavia minha indicação de hoje é a primeira edição do clássico da poesia norte-americana/mundial.

Folhas na Relva de Walt Whitman foi publicado pela primeira vez em 1855 e é um marco da poesia modernista. Com versos livres, abordando assuntos antes relegados como o homossexualismo, a relação com o corpo, o transcendentalismo, a formação da nova nação americana e muito mais. É uma obra-prima.

Descobri Whitman através de uma personagem de Mário Bortolotto que encarnei certa vez, o personagem era fascinado opr Whitman e o citava volta e meia no texto.

Comentário de Ralph Waldo Emerson sobre o livro: “A mais extraordinária peça de engenho e sabedoria que a América já produziu”.