Duplicando o induplicável

Deus não foi bom

não deu nada para mim

Esse destino safado

só me deu coisa ruim

Sou o Velho Louco Surdo

E eu só sei reclamar

Eu sou um-sete-um

e eu vou meter um agá

Mas eu não vou te enganar

Nada pra mim faz sentido

Não vejo nada bem claro

Não sei se eu sou bandido

Fico pensando as vezes

Se essa melancolia

É porque eu saco o mundo

Ou é só mesmo euforia

Dessa droga poderosa

Que injetaram em mim

Que me causou a cegueira

Por isso que eu sou assim

Faço o estilo açougueiro

Vou cortando na carne

A morte eu vejo no sangue

E vai queimar na fogueira

Essa é minha gangue

A turma só da doideira

Dando um beijo na vida

Eu vejo o mundo da sorte

Esse destino safado

Que me pegou de consorte

O Absurdo mortal só por puro esporte

Velho Louco Surdo desafia a morte


Let the music take your mind

Como assim? melhor que Alice no país das maravilhas, os pantanosos saem de dentro de espelhos e tentam mudar as realidade bizarras. Este mundo real está muito plástico, por isso a partir de agora vamos ficar somente dentro dos espelhos.

Para cada vidro quebrado um de nós se transformará em reflexo. Para cada caco de vidro, um corte será feito num pulso recalcitrante.

Se você não acha que isso é importante. Puxe um livro da estante. Leia sobre a poluição maldita. Sobre o fracasso da raça humana. O humano é a praga da terra e sinceramente muitas vezes perguntamos o que estamos fazendo aqui.

Comendo caqui? Fica com cica na boca. Seque o sapo da lagoa. Morrerá como jacaré faminto que apenas quer viver. Procurará como Capivara distinta que quer apenas uma casa. Mais o ser humano é o pior. Apenas um, apenas um homem pode matar mais de mil animais só com seu olhar assassino.

2.Capital

Balbucios que devem ser levados em conta na produção da arte do Hoje:

Outrora todo-poderoso, o capital já não é mais tão forte. Desde que caíram as Torres que se anuncia uma nova era. Nem todo o dinheiro capitalista, americano, judeu, do norte, ou como você preferir chamar foi possível de segurar os malditos aviões em pleno vôo. É o fim da ilusão da onipotência monetária. A arte, todavia, ainda não foi plenamente capaz de refletir isso.

A música, principalmente, ainda está umbilicalmente atrelada às grandes corporações. Os produtos artísticos são criados levando-se em conta o tamanho e o potencial consumidor do nicho mercadológico que devem ocupar. Bispo Barfly já nos falou disso, é um dos itens do Decálogo do Pântano. Venda não é igual a qualidade e é preciso deixar isto bem cristalino. É importante lembrar porém que vários produtos de sucesso, mesmo com um verniz mercadológico considerável, são inegavelmente qualificados. Não generalizemos portanto.

As exceções confirmam a regra. Em inúmeras ocasiões o que sentimos são constantes subversões de valor: quando o valor mercadológico se sobrepõe ao valor artístico da obra. Essas discrepâncias, tão vivas hoje em dia, são o combustível de grande parte dos fenômenos de vendas. Mas estão com os dias contados.

Alguém duvida?

Tandera, abrindo os portais do Pântano

Tontura Piração Paraíso

vamos navio navegaí vazio

A piração junto com a mania
cria o mal estar e a fobia;
o desvio dá arrepio
e a certeza de ter escolhido certo
o caminho errado
quando o destino menino veneno
vira só o duodeno –
o apelo é a sequela
não inventa, se assemelha
está sempre a procura da centelha
incendeia, na candura da serpente que alheia
morde a nuca de todo aquele pretendente
a ser algo a ser mais do que só gente.

Cabeça quente

Este sol arguto
faz bonito
esquenta o maldito asfalto
frita olhos num piscar de ovos.

bananarama que pressão!

Na esplendidura beleza do fazer letrístico contemplo a maravilhosa ultraquente máquina perempetória lampejante cuspidora de verdades que deve ser sua cabeça. como a minha com molho, como devagar mordo os pedaços e morro, é aí que vivo mesmo, quando morro estou vivo-bem.

Na angústia da prisão maldita
viveremos eternos no tédio enfumaçado
no desgosto da esgoto ardiloso
sobe a fumaça que cega o futuro.

postado por Barbazul

Acabou a esperança

ficou tão bonitin!

ninguém nem sabe de nada
vai acabar o Brasil
vai ser só terra arrasada
depois do ano dois mil

neguinho nem leva fé
tá todo mundo mamando
eu vou fazer o meu pé
porque eu também sou malandro

vou derrubar esse árvore
e a floresta inteira
vou subir vários apê
que eu num tô de bobeira

naquele outro pedaço
que eu também vou desmatar
ainda não sei o que eu faço
por isso eu vou concretar

como desfaço esse laço
não vai sobrar nenhum traço
eu vou concretar
toda a floresta amazônica

Postado por Barão Motoserraman

Fermento da mente

aqui é o prelúdio

no prelúdio do sentimento
o cofre engole a própria chave
febris folhas voam a procura do
seu dono verdadeiro – o dinheiro

sem saber que mexer ali era perigoso
andou e voltou ao mesmo sereno latente
perfumes pérfidos perversos brotam
do âmago do sobrenatural interno

como se o padrão fosse o patrão
como se a invasão invertesse a inversão
sorrateiramente homenageamos as risadas
as mais gastas, as mais merdas

bocejo, ponto de interrogação
esporte mata televisão tormenta
todos os torrents apontam para uma
torrente de torração de saco

piu

Medo do mundo moeda

HDP junto aos jacarés

Quando o dinheiro não mandar no mundo
não existirá mundo se não moeda
mãos que alimentam esta moenda
carne crua sendo moída

Dadica