Desligando as conexões

Van Gosling pediu para que eu viesse aqui para contar uma coisa para vocês. A morte é fútil, nada mais é do que apenas um traço. A própria vida inexiste, apenas no pensamento dos livros não lidos, das páginas não escritas. De cada capítulo de sua vida, guardas um mágoa diferente. Na floresta das ilusões temos a impressão de que caem folhas que emanam um maná poderoso.

Um líquido divino que daria a juventude tenra, terna e eterna para cada um de nós. Será que isso realmente acontece. Alimente-se de sementes, alivie-se frente a frente com a fronte seca. Seque apenas o fluxo de consciência que escorre da sua mente. Meta a cara no pequeno vestíbulo que dá passagem interdimensional. Você conhece esse lugar? Já esteve lá? Como conhecer o momento delineador do seu futuro. Escuro…

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Abrindo os portões do futuro

Temos visto coisas estranhíssimas nos últimos dias. Vocês se lá estivessem não acreditaram. Todos que aqui visitam tem noção que na verdade não estamos aqui, não é mesmo? Pois é. Nesta nossa saga infinita para conseguirmos sair do pântano psico-poluidor que nos aprisiona, volta e meia conseguimos através de uma nesga enxergar traços da ignóbil realidade.

Mas aí perguntamos a nós mesmos. Será melhor viver assim na ilusão? Não sabemos. Recentemente recebemos a visita de Dundes, Fadas e Gnomos. Pequenos seres que convivem conosco normalmente aqui no limbo interdimensional que habitamos. Cansados de tanta mazela vemos através do espelho mágico que o futuro se imuscui com o passado e nada nunca muda.

Tentamos mudar nosso caminho mas prosseguimos na caminhada. Estamos constantemente tentando sair daqui para dar os recados que nos foram passados pelos nobres pequenos seres mágicos. A Mãe-Natureza que vive aqui no nosso colo, numa espécie de altar pára-religioso, misto de estátua e ser etéreo, ela cansa de nos deixar mensagens cifradas sobre como devemos proceder no caso de conseguirmos alcançar algum tipo de passagem.

Diz ela: Rapazes, caso vocês consigam abrir os famigerados portões, seja eles os de Zion ou outros quaisquer, devem estar preparados para a ignorância. O ser humano lá fora acha que é o dono do universo e o senhor do planeta. Mas ele é frágil e sabe muito pouco meus filhos. Por isso mando meus pequenos servos lhes avisar. O futuro não existirá a não ser que nós queiramos.



É pela pele

É pela pele

que afloram meus defeitos

pus quer sair pela pele

perebas, pústulas, caspa

defeitos intermitentes

pare

palavras novas

trazem dores antigas

palavras livres

loucas vidas

vivas

veja

as

aqui

numa piscina de fracassomaníacos nado contente

fixados em distorcer, estão distorcendo

o tempo

desafiando em ritmo lento

as amarraduras do status-quo

doenças aproximam-se

instala o alcoolismo, a compulsividade,

a loquacidade frenética do nada dizer

a velhice contumaz

o destino do jovem sucesso alheio, a dúvida e a culpa

o nada, os objetivos e tudo o que nos rodeia

quantas palavras dissociadas de significado

fermentam como cerveja, carburam, transformam-se

compostagem cerebral

saindo fora do normal

é assim o genial?

quantos mais acontece, menos eu sei

vou (vamos) desdeusizando tudo quanto podemos

quem saca a mensagem já volta correndo

pelo caminho do mundo ao-contrário

dos tijolos roxos que voam

saltitamos pedra a pedra

em direção a uma nuvem gasosa

um buraco transdimensional etéreo

la é o fim

que bom que chegou a hora de morrer


			

No mundo da lua

Nesta maçaroca de influências desconectamos tudo. Meu nome é Devianix III, sou um extraterreno vacilão. Deixei Netuno, ou será Urano em busca da vida inteligente. Nada disso achei. Quantas imbecilidades juntas é capaz o ser humano de fazer? Nesse dificuldade de conciliar agendas para marcar a morte das galinhas mortas sempre acabamos no mundo da lua.

Sabemos que nada disso é normal neste mundo sem sentido. Então empreendemos esta viagem rumo ao infinito. No mundo da lua ficamos sem pé nem cabeça, confirmamos que São Jorge não existe, muito menos o lado negro de nada. Só existe o lado negro de tudo. Só existe maldade nesse universo.

Por isso quando deixei minha nave espacial, decidi ser apenas mais um viajante interplanetário. Rompi todas as amarras que me prendiam ao meu planeta natal. Conquistei aqui muitos amigos-inimigos, a diferença é que eu não sei a diferença entre amizade e inimizade. Sou apenas mais um. Igual porém diferente.

Nada é único. É múltiplo viver e reviver. Apenas quando apertamos cada botão sentimos o boost violento do Mach5 acelerando na direção do nada. Aqui aportei e aterrisei no mar. Um grande vazio azul era o céu, a grande imensidão azul era água. Um buraco dentro de mim se enchia de vazio.

Devianix III

Carta para a Natureza

Se tudo anda estranho, o melhor é superar com seu próprio intelecto. Se cada vez a esperança diminui, não há mais nada a fazer. Neste mundo imperfeito, cada gota de sangue é apenas uma migalha de pão amassado. Nunca fiz planos – mentira. Fizemos sim muitos planos e mais do que planos, sonhos. Pesadelos não aconteceram mas a simplicidade dos acontecimentos é o que nos acorrenta a esse chão barrento.

Na dúvida do que fazer? Faça como nós – faça nós. Desate depois e fique lembrando de como tudo era bom quando as coisas eram mais simples. Como a fumaça levava as idéias para dentro da cabeça. As certezas eram apenas incertezas e o duvidoso era o virtuoso. Numa tarde fria de outono lembre-se de como uma brisa amarga traz apenas lembranças da sessão da tarde poeirenta.

Recorde daquele seu disco velho, as emoções de um passado distante. Um passado onde o futuro se anunciava melhor. Mesmo agora sabendo que o futuro não existe. Filosoficamente continuamos nos perguntando – e tudo o que passou. Como armazenar tantas informações relevantes e conquistas irrelevantes. Como uma lista de spam-mail interminável que nunca é utilizada, como músicas perdidas nas nuvens.

As nuvens na internet são uma metáfora dos dias de hoje. Perdidas as informações bandidas precisam ser trazidas a tona por um funil poderoso. Era eu, eramos nós, eramos juntos mais fortes quando o sonho era apenas um vislumbre de uma união maior de forças que arregimenta que a soma das partes é realmente maior que o todo.

Nessa gestalt suburbana as vezes me vejo caminhando sozinho, pedalando solitário por aléias imaginárias, escapulindo dos animais feridos pelos seres humanos que teimam em se colocar no caminho da natureza. Minha amiga íntima, a tal natureza, vive se queixando comigo nos sonhos. Diz ela: E você? O que você anda fazendo por nós? Você já preparou aquele material? Já mandou aquela mensagem? Já sugeriu aquela sugestão? Já compôs uma nova canção falando do nosso futuro obscuro.

Eu respondo sempre:  Nat Natureba, entenda-me amiga, aqui no pântano, na Cidadela Oeste vivemos soterrados por volumes assombrosos de fumaça obscura, uma névoa cinzenta que sobe do complexo lacunar. Não nos deixa pensar, nos engana sobre a posição do sol. Nos ludibria sobre a noite e o dia. Pouco sabemos sobre nós mesmos. Pouco sabemos sobre o dia de hoje, quiçá o de amanhã, que nunca, nunca, nunca chegou e jamais chegará.

Por Devianix III

Samurai de Miura

Escancarado por Barfly

Vejo fumaça, desgraça, ameaça…
Beijo na graça da menina que entrelaça
Com dedos, braços e perfume: mordaça!
Rezo todo dia por uma guerra que me faça
Vitória ao forte que sentará sobre a carcaça
E rapaz, pare de usar o que te embaça.
Desgostando e alimentando-se de roupas velhas como traça
Rebuscando ideologias mil para quem caça
Bem como o rato que vive de esgarça
És ou não couro de raça?

1272 – O símbolo da vitória.

por Negozul

A imagem representativa dos homens do pântano concebido por nosso companheiro Jonny B-Good me traz agridoces memórias. A visão de tal simbologia me lembrou um acontecimento ocorrido no longínquo ano de 1272.

Antes das batalhas que ocorreram naquela fatídica ocasião eu havia visto este mesmo símbolo em meus sonhos.

Uma sangrenta guerra rasga a fronteira entre a África e a Ásia. Lutavam em confraria os Samurais Zen e os povos mongóis contra os Besouros de Metal, estranhíssimos contigentes milicianos caucasianos em suas armaduras.

Inspirado pela visão onírica do símbolo, uni-me aos samurais do clã zen. O símbolo do pântano visto em meus encontros com Morfeu representa a união com os samurais zen. A visão equilibradora do desenho foi a responsável pela selagem absoluta do potencial dos arautos da guerra.

E ficamos sete semanas no campo de batalha. E aprendi o que eram as silenciosas palmas de uma mão só. Os guerreiros do furacão estavam tão imbuídos do objetivo da morte dos Besouros de Metal que mesmo em número muito menor triunfaram. Poucos sobreviveram para relatar estas lendas.

Quando os monges locais recontaram esta saga 100 anos depois já chamavam os Guerreiros Zen de Kamikazes, os deuses do vento. Em virtude da ampla utilização daquela técnica durante os conflitos.

Calor

Eu não sinto a dor do amor
Existe mesmo ardor?
Amor falso e menor
Sabor que já sei de cor
Pra mim o amor morreu
Pra mim o amor sou eu

Cuspido por Sombr-1-o

Pântano

Onde nascemos nós os mutantes
É o pântano pleno de água abundante
Charco plano cheio de vida
Mangue molhado da morte sofrida
Entulho atolado enlameado
Vapores sulforosos sobem rumo ao céu almiscarado
Pantanal, Paraguai, Manguetown
Para com isso pantaneiro
Inundação aqui no meu terreiro
do Brejo um beijo
lamaçal
Podre é o nosso poder
Nada aqui nunca resseca
Sapo, rã, jacaré, perereca
Maguari, socó, biguá já tá careca
Capivara, anta, onça
Todos juntos na mesma dança
Lá na casa do gambá
Vamos todos festejar
Aqui no pântano é o que há
Sabe lá se o sabiá sabia assoviar
Ele veio pra contar
É o must
ser lacustre
Vamos todos se afogar
Um gostinho desse lodo
Some partes mais que o todo

http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A2ntano

http://desciclo.pedia.ws/wiki/P%C3%A2ntano

Dependência

Detesto depender de algo, de forma que esse início que depende das letras. Já começamos errado. Dependendo do rumo que toma a prosa, saímos de banda e ficamos no canto. Atirados a córner como uma bola ameaçadora, como se o córner pudesse evitar seu novo vôo perdido. No escanteio todo zagueiro é bandido. Escolhe um na hora do perigo.

Nunca veremos a própria nuca

Nunca

Cabe a cada um desmiolar-se no momento melhor, no sentimento mágico que percorre os dedos, uma mesura, um segredo se insurge como uma boca que ruge. Uma onça grunge. Urge um  que paradoxo surge. Fomento o pacífico detento, aprisionado a contento, sabe o sabor do unguento. Cala-se. É apenas um susto.  Como recuperar-se?

Interrogações pululam.  Multiplicam-se. São mais que uma, duas, andam por aí como ratos saídos de esgotos bem fornidos. Cinzentos gordos e com pelos gordurosos. São charmosos pois trazem a tona a verdade incomum. Nada poderá dar certo enquanto o homem estiver no comando.

Sei que eu sou bem gostoso. Alimento fedorento, uma carniça interessante. Mais glosado itinerante uma rima incessante. Sou safado beligerante, como um livro na estante que alucina, traz a tona uma batida bem bem louca bem saída duma soma de paradoxos calmantes. Drogas venenosas drogas bocas de répteis salientes salivas quentes daquelas que deixam dormentes.Dormirás hoje diferente, eu sei como é que os cachorros sonham. Mexem as pernas loucamente, latem um latido miúdo. Lá do sonho veêm tudo.

É estranho ser mudo.