O tom revoltou-se então

Sou um puro e amável guerreiro
Trago justiça no meu coração
Na luta desfaço-me inteiro
Morro, mas honro o Barão

Empunho punhais contra a gangue
E vejo verterem meu sangue

Mil gotas revoltas
Pingam no chão de terra
Viram sujas manchas
é o líquido-guerra
na viela das casas velhas
brotam rosas vermelhas

Desabafo real de um outsider arrependido

Na vida, muitas vezes a fama vem antes da realização.  Tantas pedras foram puladas, tantas noites de estudo, tanto tempo lamentando, aí quando o sucesso chega, a pessoa fica meio sem saber o que fazer com ele. A realização não quer dizer absolutamente que você será conhecido por fazer bem o que faz realmente bem. Muitos humanos pedantes fazem cara de pedintes ao contemplar seus feitos. Como saber o que é inveja e o que é admiração? As vezes a fama é de vagabundo, deslocado, desconectado do multiverso.

Quase sempre aquele que menospreza-te não possui a chave para o portal mágico. Só mentes avançadas atravessam o portal, já foi dito aqui e já foi dito em outros lugares. Todo o status-quo de nossa obra vacilante pende por demais de pontes frágeis, vaga solitária no topo de montanhas longínquas do sentido total. Dois mil anos de inferno, dois mil dias de inverno. Rimo rimas num caderno, um futuro tão incerto. Se cada uma dessas verdades se tornasse realidade, todo o sentido sumiria.

Mas e aí? Cada pergunta serve para engrandecer o grande sistema místico, onírico que nos retroalimenta. Saudades da cada mente desengonçada, de cada palavra mal colocada, de cada cérebro-mendigo, que vacilava por uma berlota de sentido num mundo enfumaçado e injusto. De dentro da gruta, gritavamos – Ei vocês, asseclas do poder constituído, olhem para nós, carregamos a verdade da rua suja, do esgoto, de cada perdigoto. Somos os monstros da lama, as criaturas do charco, somos a mentira em forma de palavras, somos a larva das lavras, somos a pepita escondida em baixo do tapete.

Desligando as conexões

Van Gosling pediu para que eu viesse aqui para contar uma coisa para vocês. A morte é fútil, nada mais é do que apenas um traço. A própria vida inexiste, apenas no pensamento dos livros não lidos, das páginas não escritas. De cada capítulo de sua vida, guardas um mágoa diferente. Na floresta das ilusões temos a impressão de que caem folhas que emanam um maná poderoso.

Um líquido divino que daria a juventude tenra, terna e eterna para cada um de nós. Será que isso realmente acontece. Alimente-se de sementes, alivie-se frente a frente com a fronte seca. Seque apenas o fluxo de consciência que escorre da sua mente. Meta a cara no pequeno vestíbulo que dá passagem interdimensional. Você conhece esse lugar? Já esteve lá? Como conhecer o momento delineador do seu futuro. Escuro…

O Começo do Fim do mundo – videoclipe

Um sentimento estranho…acho que…

Videoclipe da canção O Começo do Fim do Mundo
Direção: Cavi Borges
Edição e Fotografia: Daniel Ribeiro

E aqui o wav para tu baixar e ouvir

Impasse

Um passo em falso

Impasse

Um passe de mágica

Não passe

Um passe n´alma

Despache

Um passe torto

Amanse

É pela pele

É pela pele

que afloram meus defeitos

pus quer sair pela pele

perebas, pústulas, caspa

defeitos intermitentes

pare

palavras novas

trazem dores antigas

palavras livres

loucas vidas

vivas

veja

as

aqui

numa piscina de fracassomaníacos nado contente

fixados em distorcer, estão distorcendo

o tempo

desafiando em ritmo lento

as amarraduras do status-quo

doenças aproximam-se

instala o alcoolismo, a compulsividade,

a loquacidade frenética do nada dizer

a velhice contumaz

o destino do jovem sucesso alheio, a dúvida e a culpa

o nada, os objetivos e tudo o que nos rodeia

quantas palavras dissociadas de significado

fermentam como cerveja, carburam, transformam-se

compostagem cerebral

saindo fora do normal

é assim o genial?

quantos mais acontece, menos eu sei

vou (vamos) desdeusizando tudo quanto podemos

quem saca a mensagem já volta correndo

pelo caminho do mundo ao-contrário

dos tijolos roxos que voam

saltitamos pedra a pedra

em direção a uma nuvem gasosa

um buraco transdimensional etéreo

la é o fim

que bom que chegou a hora de morrer


			

A tragédia final

Eu sinto que a tragédia final se aproxima rapidamente. Será lenta e constante. Não irromperá fulminante como um raio. Virá devagar mas virá logo. Um arbovírus violento dizimará dezenas, centenas, milhares. O grande problema da humanidade é achar que tem imunidade as suas próprias irresponsabilidades.  Já dizia o sábio István Mészáros, filósofo húngaro: “A ideia de crescimento eterno continua a ser a mitologia do nosso tempo.”

Tenho as certezas porque eu sou deus, não adianta se irritar com as barbaridades aqui cometidas. Essa certeza ignóbil e arrogante que arroto é sincera. Nossa divindade é apenas a consequência da lógica ilógica do planeta terra. A vida é um milagre terno, um milagre terreno. Nossa tênue existência está fadada ao fracasso mas é mágica. Nesse paradoxo intenso vivemos equilibrados como Zaratustra nas primeiras páginas de sua saga.

A simplicidade da morte é o símbolo maior de nossa estada aqui. Como sou superior porém igual a vocês, nem sempre consigo me fazer compreender. Demonizo os arautos religiosos pois eles não apresentam nenhuma capacidade de religar ninguém a nada. Apenas um controle asqueroso, uma manipulação barata. Aqui não violão.

Somos muitos e não paramos nem um minuto de modificar este reles planetinha. O capitalismo é a mais competente máquina de eficiência que já criamos. Dá conforto e gera destruição, meritocratiza tudo e todos e relega os párias a mendicidade. É fantástico enquanto poderosa bomba atômica. Na dialética tensa de sua loucura crescente muitas vezes me pego perguntando. Para quê tudo isso?

Não tente nos igualar pois é na diferença que crescemos, não tente diferenciar-nos pois é na igualdade que grassamos por esse mar de lama. Com a boca cheia de formigas, mastigamos pequenos insetos e nos perguntamos: Alimentamo-nos da morte alheia…Irei eu pro céu ou pro beleléu?

Quando sou parte desta engrenagem maldita que gera tanto sangue, sigo como autômato sacando macetes de inteligência competitiva. Mascarando espionagem funesta que perscruta os caminhos mais diversos na hora de sacar na boca oca do caixa automático. Dólares, dinares, débeis mentais movidos a moedas. Dinheiro desce a ladeira mas não responde pergunta.

O primeiro cadáver seguirá fedendo na sarjeta esquecido como um animal morto. Os animais estão dando o aviso. Feridos eles são os esquecidos, todavia como verdadeiros donos do pedaço vivem a nos mostrar que estamos no caminho errado. Não tá escutando cara? Não consegue ouvir o grito dos jacarés tendo seu couro arrancado, as capivaras alvejadas a tiro, os colhereiros com suas penas desbotadas, os gambás mutilados pelos pneus carecas reprovados em vistorias babacas. Não tá vendo? Tu tá cego cara? Não quer ver né.

Sem problemas, breve o próximo verme putrefacto andará sorridente por sua carne podre. Mordiscará as bordas suculentas de seu crânio limpo de pensamentos. Beliscará cada pedacinho de pele pendente de suas feridas abertas. Estas chagas latentes não te ensinarão nada pois você estará morto, falecido por um vírus desconhecido lascinante, capaz de apodrecer suas vísceras em três dias.

Carta para a Natureza

Se tudo anda estranho, o melhor é superar com seu próprio intelecto. Se cada vez a esperança diminui, não há mais nada a fazer. Neste mundo imperfeito, cada gota de sangue é apenas uma migalha de pão amassado. Nunca fiz planos – mentira. Fizemos sim muitos planos e mais do que planos, sonhos. Pesadelos não aconteceram mas a simplicidade dos acontecimentos é o que nos acorrenta a esse chão barrento.

Na dúvida do que fazer? Faça como nós – faça nós. Desate depois e fique lembrando de como tudo era bom quando as coisas eram mais simples. Como a fumaça levava as idéias para dentro da cabeça. As certezas eram apenas incertezas e o duvidoso era o virtuoso. Numa tarde fria de outono lembre-se de como uma brisa amarga traz apenas lembranças da sessão da tarde poeirenta.

Recorde daquele seu disco velho, as emoções de um passado distante. Um passado onde o futuro se anunciava melhor. Mesmo agora sabendo que o futuro não existe. Filosoficamente continuamos nos perguntando – e tudo o que passou. Como armazenar tantas informações relevantes e conquistas irrelevantes. Como uma lista de spam-mail interminável que nunca é utilizada, como músicas perdidas nas nuvens.

As nuvens na internet são uma metáfora dos dias de hoje. Perdidas as informações bandidas precisam ser trazidas a tona por um funil poderoso. Era eu, eramos nós, eramos juntos mais fortes quando o sonho era apenas um vislumbre de uma união maior de forças que arregimenta que a soma das partes é realmente maior que o todo.

Nessa gestalt suburbana as vezes me vejo caminhando sozinho, pedalando solitário por aléias imaginárias, escapulindo dos animais feridos pelos seres humanos que teimam em se colocar no caminho da natureza. Minha amiga íntima, a tal natureza, vive se queixando comigo nos sonhos. Diz ela: E você? O que você anda fazendo por nós? Você já preparou aquele material? Já mandou aquela mensagem? Já sugeriu aquela sugestão? Já compôs uma nova canção falando do nosso futuro obscuro.

Eu respondo sempre:  Nat Natureba, entenda-me amiga, aqui no pântano, na Cidadela Oeste vivemos soterrados por volumes assombrosos de fumaça obscura, uma névoa cinzenta que sobe do complexo lacunar. Não nos deixa pensar, nos engana sobre a posição do sol. Nos ludibria sobre a noite e o dia. Pouco sabemos sobre nós mesmos. Pouco sabemos sobre o dia de hoje, quiçá o de amanhã, que nunca, nunca, nunca chegou e jamais chegará.

Por Devianix III

Cry for nature

There´s no need to understand life

Just live it

As long as you´re alive

It´s a blessing

From a God that does not exist

In your mind there´s a void

In your soul there´s no joy

Why live like that?

While forests are being torn down

Lakes are getting dry

Humans are to blame

Animals have no name

They just are

We rate beyond them

We play a dirty game

No one should complain

No one should demand

1272 – O símbolo da vitória.

por Negozul

A imagem representativa dos homens do pântano concebido por nosso companheiro Jonny B-Good me traz agridoces memórias. A visão de tal simbologia me lembrou um acontecimento ocorrido no longínquo ano de 1272.

Antes das batalhas que ocorreram naquela fatídica ocasião eu havia visto este mesmo símbolo em meus sonhos.

Uma sangrenta guerra rasga a fronteira entre a África e a Ásia. Lutavam em confraria os Samurais Zen e os povos mongóis contra os Besouros de Metal, estranhíssimos contigentes milicianos caucasianos em suas armaduras.

Inspirado pela visão onírica do símbolo, uni-me aos samurais do clã zen. O símbolo do pântano visto em meus encontros com Morfeu representa a união com os samurais zen. A visão equilibradora do desenho foi a responsável pela selagem absoluta do potencial dos arautos da guerra.

E ficamos sete semanas no campo de batalha. E aprendi o que eram as silenciosas palmas de uma mão só. Os guerreiros do furacão estavam tão imbuídos do objetivo da morte dos Besouros de Metal que mesmo em número muito menor triunfaram. Poucos sobreviveram para relatar estas lendas.

Quando os monges locais recontaram esta saga 100 anos depois já chamavam os Guerreiros Zen de Kamikazes, os deuses do vento. Em virtude da ampla utilização daquela técnica durante os conflitos.