Respostas poéticas e injustas

Na eterna mendicância
do amor fracassado
perde-se toda potência
e morre-se de enfado

desista ó amador
amante ou desistente
ama desta forma a dor
que vem forte e latente

DSC_8353De dentro do seu quarto sentado ao lado da escrivaninha, o poeta matutava ansiosamente como terminar aquele verso. Deveria anotar então em um guardanapo sujo e velho e guardar dentro de um livro para terminar depois. Percebeu então a ironia. Guardaria dentro das páginas emboloradas de um livro um pretenso começo de um suposto livro que nunca seria escrito. Resolveu então mudar a história e colocar um rapaz apaixonado e frustrado que escrevia coisas em guardanapos e não encarava o amor como deveria.

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Fome não se come

hamburger
Quanto menos se come

Mais se vive

Alimente suas frustrações

enchendo a boca de vento

O que é a fome?

Se não uma ilusão

do vazio

O que é o prolongamento da vida?

Se não o atraso da morte que virá

inexoravelmente

Não coma!

Estilo faquir!

O tom revoltou-se então

Sou um puro e amável guerreiro
Trago justiça no meu coração
Na luta desfaço-me inteiro
Morro, mas honro o Barão

Empunho punhais contra a gangue
E vejo verterem meu sangue

Mil gotas revoltas
Pingam no chão de terra
Viram sujas manchas
é o líquido-guerra
na viela das casas velhas
brotam rosas vermelhas

fast-poesia

 

na histeria do incompreendido 
os gritos se fazem escutar 
lancinantes lamentos 
um gigante descontente 

aponta para o alto 
e diz – eu sou mais eu 
ignoro o outro 
não existe mais ninguém 

mea-culpa 
sua rua é tosca e rota 
a rota é ruminante 
vai e volta num intervalo constante 

Pai nosso poético

crazy peruAmigavelmente discordando

pois sou eu mesmo um deus malandro

Dedico-me a dedilhar meu violino

componho árias melodiosas

não existe algo desse tino

são apenas mentiras graciosas

No mistério da vida

É mister saber que somos nada

Cada pedaço, uma parada

cada cabeça desmiolada

Folhas soltas ao vento

voltam violentas

doenças dentro

de uma rara cepa

vírus verão que

esta vertente vencerá

vamos nessa

rumo a morte

sem pressa

troco dois dedos de prosa

com os deuses e as deusas

meto medo nas medusas

largo o dedo nas confusas

saio correndo

mas não tenho medo

assassino sorrindo

vaticino um horrendo

fim

pra toda religião chinfrim

Gosto de tal ânsia

como um belo vômito

regurgita ideias toscas

empurra-as abismo abaixo

vamos cavar uma bela cova

para enterrar toda velha nova

imbecilidade atroz

comungo de seu pensamento

ser anta simplesmente

não adianta

Dizendo tudo aquilo que é indizível

Diga agora garoto

Diga agora garoto

A poesia diz o que ninguém mais diz

os discursos esquecidos

as lamentações bizarras

o maniqueísmo underground

Do fundo do poço

emerjo só osso

falanges teclam ideias

desconexas – dentro de suas sinapses

Tudo começa a fazer sentido

Aquilo que foi esquecido

Inimaginável amor bandido

Letras love me

Elas párias velhas

Surgem de cada recôndito

Para atacar o seu cérebro

Sinta-se ameaçado

Quiçá esta saraivada poética

Faça-te flanar como uma herética

que blasfema contra tudo

que é sagrado

aqui do meu lado

cada poesia vale  um dia

cada verso

um universo

O jacaré que morava na boca

josé jacaré collage

Meu nome é José Jacaré
moro dentro da boca dum zé-mané
Pequeno, vejo grande
Escondido, sei de tudo
Aguardando, a hora do bote
Alimento-me quando há sorte
Sou cascudo, sou forte
Sou sinistro, conheço a morte
Aguarde-me pois bolei um mote
e sei bem onde fica o norte

o olho que BRILHA

quando aqui venho sempre brilha meu OLHO
na leitura dessa poesia com molho
eu falo desta longa ausência do intercâmbio tosco
das idéias, do meu velho poetar, quase um encosto

muitas pessoas no mundo
o mundo deveria ter menos gente
velho mundo vagabundo
cada vez cada vez mais quente

líderes do nosso movimento, parabéns por tudo
nessa selva de dúvidas, as vezes posso ser surdo-mudo

  1. acesse os acessórios no acesso escondido de sua cabeça

Olho de lince


ao olhar um semblante tranquilo
apenas imagino se aquilo
é um sorriso escondido
ou uma cara de enfado

ao sonhar com uma vida melhor
percebemos que acordar é pior
e voltamos pro cobertor quente
o travesseiro, ele sim, ama a gente

tanta gente é indigente
tanta gente nesse mundo
tanda imundície nas vielas
tanta gente nas favelas

num comício imaginário
políticos respiram um ar pesado
cairam como um otário
vendo o fuzil armado

Postado por G-Shakespear

Montanha longíqua do sentido total

perniciosos agentes que julgam tudo saber
apenas lambem de leve a única verdade
o sentido é a utopia final deste universo
a lógica é a míriade de opções que avolumam-se

no meu canto quente apenas destrato a realidade
fujo da ilógica porém profunda vaidade
inspiro-me no nexo causal da existência plena
vislumbro um fracasso retumbante travestido de vida

aí pergunto: Existe tanto espaço assim para a angústia?
qual será o tamanho do rombo deixado pela explosão
tamanho sentimento golfa a probabilidade do acerto completo
ou pequenos traços de entusiasmo amam o poder que emana do vigor

prestígio é o topo da montanha inalcançável
escarpas impossíveis de galgar surgem a qualquer momento
memorizo, mesmerizo, entronizo o entorno da subida
na sequência peço guarida, sinto minha ferida ardida

o machucado putrefacto verte pus por todo lado
lastra o lacre rompido do imutável
define o caminho que subirá aos céus
do alto, do meio do caminho, será que saberei subir sozinho?

somente o escalador constante pode perceber a dúvida ruminante
somente a dor lancinante pode entender a cegueira total
somente a visão lúcida transferirá o sentido das mentes para os olhares
e quando finalmente olharmos, veremos que nada ainda faz sentido

Postado por José Jacaré