O tom revoltou-se então

Sou um puro e amável guerreiro
Trago justiça no meu coração
Na luta desfaço-me inteiro
Morro, mas honro o Barão

Empunho punhais contra a gangue
E vejo verterem meu sangue

Mil gotas revoltas
Pingam no chão de terra
Viram sujas manchas
é o líquido-guerra
na viela das casas velhas
brotam rosas vermelhas

Kid K-Feýna.

Kid K-Feýna é um sujeito simples. Simplesmente amargo.
Ligado por natureza, ( Pela natureza das substâncias encontradas no café ).

Quando não está tenso, está puto.

Se relaxa, corre para aplicar uma dose do preto na nuca, afim de
reanimar os neurônios já abalados por um outro preto e de
transportá-lo para a “realidade”.

Diz a lenda que ele foi inseminado, gerado e parido em baixo de
um pé de café que já não dava mais frutos.
Quando criança, se revoltava sempre que ia brincar com os mais
velhos. Se alguém caísse na besteira de falar que ele era café com
leite,ele saia gritando como um louco:

– Leite não!! leite não !!

Sempre que se sente acoado, a coisa ferve.

Na adolescência, se escondia no telhado da fazenda para poder “torrar”
seus pensamentos em paz , e, por ficar lá em cima por muito tempo,
se tornou esse casca grossa.

Após atingir a maior idade, foi recrutado pelos hdp para abrir o olho
daqueles que estão dormindo e tornar o clima um pouco mais tenso.

Postado após mandar o preto por Kid K-Feýna.

fast-poesia

 

na histeria do incompreendido 
os gritos se fazem escutar 
lancinantes lamentos 
um gigante descontente 

aponta para o alto 
e diz – eu sou mais eu 
ignoro o outro 
não existe mais ninguém 

mea-culpa 
sua rua é tosca e rota 
a rota é ruminante 
vai e volta num intervalo constante 

Olho de lince


ao olhar um semblante tranquilo
apenas imagino se aquilo
é um sorriso escondido
ou uma cara de enfado

ao sonhar com uma vida melhor
percebemos que acordar é pior
e voltamos pro cobertor quente
o travesseiro, ele sim, ama a gente

tanta gente é indigente
tanta gente nesse mundo
tanda imundície nas vielas
tanta gente nas favelas

num comício imaginário
políticos respiram um ar pesado
cairam como um otário
vendo o fuzil armado

Postado por G-Shakespear

Montanha longíqua do sentido total

perniciosos agentes que julgam tudo saber
apenas lambem de leve a única verdade
o sentido é a utopia final deste universo
a lógica é a míriade de opções que avolumam-se

no meu canto quente apenas destrato a realidade
fujo da ilógica porém profunda vaidade
inspiro-me no nexo causal da existência plena
vislumbro um fracasso retumbante travestido de vida

aí pergunto: Existe tanto espaço assim para a angústia?
qual será o tamanho do rombo deixado pela explosão
tamanho sentimento golfa a probabilidade do acerto completo
ou pequenos traços de entusiasmo amam o poder que emana do vigor

prestígio é o topo da montanha inalcançável
escarpas impossíveis de galgar surgem a qualquer momento
memorizo, mesmerizo, entronizo o entorno da subida
na sequência peço guarida, sinto minha ferida ardida

o machucado putrefacto verte pus por todo lado
lastra o lacre rompido do imutável
define o caminho que subirá aos céus
do alto, do meio do caminho, será que saberei subir sozinho?

somente o escalador constante pode perceber a dúvida ruminante
somente a dor lancinante pode entender a cegueira total
somente a visão lúcida transferirá o sentido das mentes para os olhares
e quando finalmente olharmos, veremos que nada ainda faz sentido

Postado por José Jacaré

Operação Matemática

angústia + conexão lenta + vários browsers = loucura

Como surgiu a Cidadela Oeste

Em determinado momento a maioria já havia perecido. O céu cor de ocre deixava de ser apenas um delírio tornara-se há muito realidade. O ar rareava, lutavam os pulmões. Tinham sido avisados pelos ouvidos. Ouviram perfeita e claramente um som límpido e cristalino quanto límpido e cristalino pode ser o som. Ouviram e compreenderam as velhas novidades que os cientistas da Organização pregavam. Ouviram e ignoraram. Agora agonizam mutantes embaixo do horizonte plúmbeo.

Adaptaram-se as criaturas. A partir de então moléstias proliferaram-se, deram novo significado à palavra vida. Tão numerosas e diferenciadas entre si eram as espécies de arbovírus que de lá pra cá grassaram livremente pela superfície do planeta que tornou-se impossível distinguir entre a referida vida e seu oposto, a tal da morte. Espécies e subspécies se confudiram, mesclaram e fundiram-se.

O saber sofreu um baque, filósofos debateram o assunto por dezenas de séculos em sua incessante busca. A vida havia sido alterada na sua própria essência. Os que ainda debatiam esta condição o faziam ao lutar pela manutenção da mesma neste surrealista status quo que havia se tornado a vida.

Mantinham-se juntos nos poucos habitáculos que ainda permitiam atividade neurológica de alguma forma. Fora das Cidadelas era praticamente impossível distinguir um reles palmo a sua frente, quanto mais manter sua estrutura molecular intacta.

No início eram duas Cidadelas batizadas geograficamente como Leste e Oeste. Os orientais não mantiveram sua subsistência nos primeiros decênios do século $#&% e desapareceu todo o lado leste. Ironicamente, contam as lendas, que as palafitas afundaram num mar de enxofre.

Subsiste ainda a Cidadela Oeste.

Tandera, abrindo os portais do pântano

Na imagem abaixo, colhida pelos pincéis mágicos de Pedrim Peroba contemple o que sobrou da Cidadela Oriental

Será que se fosse assim?

Homem-Ampulheta
Não vê o tempo
Passar
Vê o mundo
Deslocar-se
Se o se jogasse
Seria outro jogo!

Palavras primas

Como são cretinas
as mais simples rimas
juntar amor e dor
tremendo dissabor

Como são cretinas
as palavras primas
paixão e coração
rimando em comunhão

Como sou cretino
busco de menino
fazer brotar algum
melhor lugar comum

(G-Shakespear)

FIM

Começou…
Finalmente aproxima-se
A proximidade do fim
O fim se aproxima
Aproxima-se o fim
O fim está próximo
Perto de mim
Fim.

Cuspido por Sombr-1-o