Pântano

Onde nascemos nós os mutantes
É o pântano pleno de água abundante
Charco plano cheio de vida
Mangue molhado da morte sofrida
Entulho atolado enlameado
Vapores sulforosos sobem rumo ao céu almiscarado
Pantanal, Paraguai, Manguetown
Para com isso pantaneiro
Inundação aqui no meu terreiro
do Brejo um beijo
lamaçal
Podre é o nosso poder
Nada aqui nunca resseca
Sapo, rã, jacaré, perereca
Maguari, socó, biguá já tá careca
Capivara, anta, onça
Todos juntos na mesma dança
Lá na casa do gambá
Vamos todos festejar
Aqui no pântano é o que há
Sabe lá se o sabiá sabia assoviar
Ele veio pra contar
É o must
ser lacustre
Vamos todos se afogar
Um gostinho desse lodo
Some partes mais que o todo

http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A2ntano

http://desciclo.pedia.ws/wiki/P%C3%A2ntano

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Somos sujos

que cor é essa?

Somos do esgoto, sujos.
Curtindo poesia-merda-cocô,
cianobactérias, gatoradeverdeatômico,
sopa de ervilha que o moscatelli falou.

Nessa fedentina
nem incenso me anima,
ânimo exaltado pelo cheiro do metano,
sulfídrico surfante no tapete d´alga mutante

Hesitante lodo…ovo podre…ovo da serpente-crocodilo;
Nesse instante nasce fulgurante neste seu cascudo estilo;
No esgoto, nosseu próprio perdigoto
nunca nunca se esgota, não seja idiota.

Biólogo Mário Moscatelli

Tema o tempo

A obsessão do relógio
é um delírio persecutório complexo.
Malditos minutos mentais metidos em mim;
na balada incansável dos ponteiros
sou um reles súdito dos segundos sangrentos
cada volta –  um suplício.

tic-tac, temo que o tempo voe
tic-tac, temo que a tempo exista
tic-tac, volta logo passado torto
tica-tac, chega logo futuro livre

Nesta avalanche confusa,
um turbilhão paralaxiano ameaça
sufocar inúteis novidades
nanomilésimo fragmento de sanidade
com a velocidade que vem voando
é capaz
de estilhaçar
sua caixa craniana

por Indigo Diz


Vidas Secas

Numa dica paradoxal para se ler no nosso querido e úmido Pântano recomendaremos hoje o clássico Vidas Secas do escritor alagoano Graciliano Ramos.

http://www.graciliano.com.br/

http://pt.wikipedia.org/wiki/Graciliano_Ramos

Vidas Secas é o quarto livro de Graciliano e foi publicado em 1938. Verdadeiro poema em prosa conta com sua linguagem ultra brasileira as desventuras duma família errante pelo sertão nordestino.

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vidas_Secas

Uma história cativante, comovente, verossimilhante, política e principalmente humana. Graciliano conta-nos como o ciclo da seca inclemente influencia e mesmo molda a vida dos nordestinos de sua época e de hoje também. Um livro que nos ajuda e entender o Brasil de hoje e de ontem.

Inspirou também um filme do diretor Nélson Pereira dos Santos de 1963

http://pt.wikipedia.org/wiki/Vidas_secas_%28filme%29

Para completar retiro da contracapa da 29ª edição um trecho escrito pelo prefaciador Álvaro Lins que resume o espírito do livro:

“Além de ser o mais humano e comovente dos livros de ficção do Sr. Graciliano Ramos, VIdas Secas é  o que contém maior sentimento da terra nordestina, daquela parte que é áspera, dura e cruel, sem deixar de ser amada pelos que a ela estão ligados telúricamente. O que impulsiona o seres desta novela, o que lhes marca a fisionomia e os caracteres, é o fenômeno da seca.”

Um futuro fudido

olhando pro futuro

saberá que no futuro o amor valerá créditos
dowloandáveis e trocáveis por mil traquintandas
interessantíssimas santíssimas trindades novas
dinheiro-moda-coração vazio
conecta sua mente
com a tomada mais próxima
quanto mais apaixonada estiveres
mais perto estarás daquela louis vitton tão desejada

a morte espreita

as vezes acho que eu sou mais que um
as vezes acho que eu sou você
e nós dois somados somos tudo
e divididos somos nada
e deuses que somos
podemos escolher
para onde
por que
e até quando
tudo acabará

chegou, acabou pra ele

Velocidade

Velocidade

Tão rápido

O que foi isso

E aquilo

Quem sou eu

Tão vazio

Aceleração

Turbo

Cavalos-vapor

Chipados

Tempo

Dias

Vidas

Não para

Esquizofrenicamente

Multi-tarefas

Objetivo

Eternizar um momento vulgar

Que momento?

O amanhã

Não para, não para, não para

Fotografa eterniza

Os fragmentos pós-modernos

Despedaçados

Não completos

Não dá tempo

Depois

agora

Relógio

Emails

Sites

bombardeio

Bip

celular

Imagens turvas

Olho não capta

Cérebro não capta

Armazenados no fundo

Vem a tona como tiros

Pensamentos natimortos

bleeeergh – água suja again!

Entre dúvidas e caminhos

continuamos a andar para trás

nesta estrada bolorenta

vejo o pretérito e o futuro-mais-que-perfeito

e lá sonho estar

este poder não é uma dádiva

desde que aqui cheguei

vindo de lugar incerto

sofro, sonho e sofro novamente

leões olham para mim e não rugem

esguelham-se, deitam e dormem novamente

em cada sonho lembro que aqui é tudo meio estranho

não sei ao certo a razão de ter aqui chegado

só sei que nada sei, socraticamente continuo

pergunto: se isso é assim pra mim

que sou deus

imagine para todos os outros

que deus também são

os biguás, as capivaras, as garças, os jacarés, os colhereiros

as cianobactéricas -cor de gatorade verde-atômico

é – sou água, sou lixo, sou o anti-luxo

sou você, você sou (e) é eu também

São Rock Damião e outras coisitas más

SRD_DIA1907_verde

Feliz é o burro

Que não sabe o que é bom

Feliz é o novo

Que não vive o que é ruim

Feliz não existe

Só existe ser triste

Fiel à infelicidade

meu dedo em riste

Watch us live! Veja-nos ao vivo

Ecoterroristas ao vivo no Saloon 79

Gravidade Zero ao vivo no Saloon 79

Verdadeiro MC ao vivo no Saloon 79

scary people

Tandera e Tio Ni

Tandera e Tio Ni