Carta para a Natureza

Se tudo anda estranho, o melhor é superar com seu próprio intelecto. Se cada vez a esperança diminui, não há mais nada a fazer. Neste mundo imperfeito, cada gota de sangue é apenas uma migalha de pão amassado. Nunca fiz planos – mentira. Fizemos sim muitos planos e mais do que planos, sonhos. Pesadelos não aconteceram mas a simplicidade dos acontecimentos é o que nos acorrenta a esse chão barrento.

Na dúvida do que fazer? Faça como nós – faça nós. Desate depois e fique lembrando de como tudo era bom quando as coisas eram mais simples. Como a fumaça levava as idéias para dentro da cabeça. As certezas eram apenas incertezas e o duvidoso era o virtuoso. Numa tarde fria de outono lembre-se de como uma brisa amarga traz apenas lembranças da sessão da tarde poeirenta.

Recorde daquele seu disco velho, as emoções de um passado distante. Um passado onde o futuro se anunciava melhor. Mesmo agora sabendo que o futuro não existe. Filosoficamente continuamos nos perguntando – e tudo o que passou. Como armazenar tantas informações relevantes e conquistas irrelevantes. Como uma lista de spam-mail interminável que nunca é utilizada, como músicas perdidas nas nuvens.

As nuvens na internet são uma metáfora dos dias de hoje. Perdidas as informações bandidas precisam ser trazidas a tona por um funil poderoso. Era eu, eramos nós, eramos juntos mais fortes quando o sonho era apenas um vislumbre de uma união maior de forças que arregimenta que a soma das partes é realmente maior que o todo.

Nessa gestalt suburbana as vezes me vejo caminhando sozinho, pedalando solitário por aléias imaginárias, escapulindo dos animais feridos pelos seres humanos que teimam em se colocar no caminho da natureza. Minha amiga íntima, a tal natureza, vive se queixando comigo nos sonhos. Diz ela: E você? O que você anda fazendo por nós? Você já preparou aquele material? Já mandou aquela mensagem? Já sugeriu aquela sugestão? Já compôs uma nova canção falando do nosso futuro obscuro.

Eu respondo sempre:  Nat Natureba, entenda-me amiga, aqui no pântano, na Cidadela Oeste vivemos soterrados por volumes assombrosos de fumaça obscura, uma névoa cinzenta que sobe do complexo lacunar. Não nos deixa pensar, nos engana sobre a posição do sol. Nos ludibria sobre a noite e o dia. Pouco sabemos sobre nós mesmos. Pouco sabemos sobre o dia de hoje, quiçá o de amanhã, que nunca, nunca, nunca chegou e jamais chegará.

Por Devianix III

Cry for nature

There´s no need to understand life

Just live it

As long as you´re alive

It´s a blessing

From a God that does not exist

In your mind there´s a void

In your soul there´s no joy

Why live like that?

While forests are being torn down

Lakes are getting dry

Humans are to blame

Animals have no name

They just are

We rate beyond them

We play a dirty game

No one should complain

No one should demand

Let the music take your mind

Como assim? melhor que Alice no país das maravilhas, os pantanosos saem de dentro de espelhos e tentam mudar as realidade bizarras. Este mundo real está muito plástico, por isso a partir de agora vamos ficar somente dentro dos espelhos.

Para cada vidro quebrado um de nós se transformará em reflexo. Para cada caco de vidro, um corte será feito num pulso recalcitrante.

Se você não acha que isso é importante. Puxe um livro da estante. Leia sobre a poluição maldita. Sobre o fracasso da raça humana. O humano é a praga da terra e sinceramente muitas vezes perguntamos o que estamos fazendo aqui.

Comendo caqui? Fica com cica na boca. Seque o sapo da lagoa. Morrerá como jacaré faminto que apenas quer viver. Procurará como Capivara distinta que quer apenas uma casa. Mais o ser humano é o pior. Apenas um, apenas um homem pode matar mais de mil animais só com seu olhar assassino.

Toka

Através dos relatos orais de seus habitantes, surgem as lendas do Pântano. Dom Élder é o nosso convidado de hoje, ele veio nos contar a história de…

Toka

Durante o pós-guerra, imigrou pra o Brasil uma família vinda do Japão arrasado. Talvez o melhor tivesse sido perecer em terras nipônicas. Trazendo sua esposa grávida de sete meses, o humilde agricultor já sentia os sintomas da radiação, todavia não desconfiava que um mal ainda pior descansava no ventre de sua amada.

Abalado pelos males radioativos, ele resistiu por parcos seis meses. A mãe ainda teve tempo de ensinar algumas coisas a sua prole recém-nascida, porém logo definhou e deixou a vida. A única coisa que a criança lembrava era o nome de seu pai, por quem a mãe sempre lembrava nas orações.

Acolhido pelo Orfanato Frei Luís, o pequeno órfão repetia insistentemente um nome: Toka. Recusava-se a pronunciar outras palavras. Quando atingira a idade de aproximadamente seis anos passou a manifestar estranhíssimos sinais de algum tipo de mutação. Sua inocente mente era perturbada por terríveis e abomináveis pesadelos que lhe acordavam freqüentemente no meio da madrugada.

Pouco a pouco, as outras crianças do orfanato criaram um temor de Toka (a única palavra que pronunciava passou a ser sua própria alcunha) e quando os adultos foram perceber isso já era muito tarde. O medo fez aflorar a perversidade natural das crianças. Maltratado e judiado em série, o pequenino e solitário Toka sofria em silêncio.

Durante uma dessas perversidades ele atingiu um índice elevado de nervosismo e pela primeira vez sentiu que seu ódio crescera tanto que seu próprio corpo e sangue radioativo estavam reagindo. Sua pele escureceu e seus olhos brilhavam num horrendo tom amarelo. Sem saber o que acontecia consigo, a pobre criatura percebeu o pavor das crianças e sentiu-se culpado pelo pânico e pelas lágrimas.

Os responsáveis pelo dormitório ouviram um tremendo alvoroço e partiram prontamente pra saber a causa do tumulto que já não os deixava dormir. Quando a porta do quarto se abriu Toka, com força desproporcional, arremessou o adulto a metros de distância e partiu pelas florestas do Jardim Boiúna.

Nunca mais foi visto.

Anos se passaram e talvez as matas da Taquara não fossem mais suficientes para abrigar Toka. Ele trocou sua morada isolada para as Colinas do Pau-ferro onde encontrava uma abundante fauna pra alimentação.

Os dias de isolamento da surreal criatura estavam contados e quando as obras da Linha Amarela começaram lá pelos idos dos anos 90 ele viu as coisas que aprendeu a amar serem destruídas. Máquinas e homens invadiam seu lar e Toka passou a atacar humanos durante o alvorecer. Poucos sobreviveram e relataram o ataque às autoridades. Ninguém nunca levou a história muito a sério e o caso foi abafado.

Vítima do homem e agora era visto como agressor, Toka era temido pelos moradores da região. Muitos negam a veracidade destes fatos, porém quem passa uma noite naquela mata e consegue voltar jura que viu algo de outro mundo.

Uma estranha criatura com gigantes globos oculares amarelados está permanentemente na espreita dos aventureiros todavia só anseia por sossego. Conta a lenda que todo aquele que tenta aproximação é dilacerado. Aquele lugar não é mais seguro já que Toka quer manter sua solidão e para isso não hesitará em acabar com vidas. No fundo de seu maltratado coração, ele amaldiçoou os homens que macularam sua paz.

Medindo em torno de 1,68 m, com braços longos e cabelos de cor negra até o chão, sua pele é de uma estranha matiz verde-esbranquiçada. Dotado de poderosa força e longevidade fora dos padrões humanos, Toka também desenvolveu garras poderosas como as de um urso. Aquele que ousar encarar os olhos de Toka entra em uma espécie de transe hipnótico e fica a mercê dos caprichos da criatura que muitas vezes escolhe copular com sua vítima hipnotizada.

Se no meio da madrugada, ouvires sussurros nas árvores. Corra! Toka tem fome e somente os inocentes gritos infantis podem fazer a fera recuar.

O sacrifício do sapo

surge o sábio sapo
urge que saiba que
o tal batráquio
pobre anfíbio ainda anseia
uma ânsia de ser sapo
e não ser sopa
nem ser saco

A vida no mundo do sapo segue a sua própria lógica e sofre transmutações frequentes, seus próprios eus vivem realidades paralelas.

as maiores maluquices que a mente pode conceber
dever ser diariamente alimentadas
ao deslocar seus se os neurônios se de-loucam-se
em vez fumaça enfuma furando só os olhos que nâo veem
o mundo se mexendo sozinho zé
as cinzas sendo sensorialmente espalhadas
na floresta numa comunhão bonito-patética
na contramão da estética
sendo o sonho de ser só sapo
uma opção dialética
filosofo crocodilianamente
turbino com meu rabo cascudo
sai de cima papudo
tenho as mãos de veludo
roubo – sou um mentalbandido
velhos voltam na velocidade que os iludo
trago o antigo mito do fato novo
de novo tu pede socorro
eu corro
no escuro
é sempre foda
nessa hora
é sempre foda
empata-foda
empena roda
coda

Lamento lambido

Sinto o cheiro do azul decorado
todas as estrelas brilhantes que brilham ao meu lado
saltitam em meu ouvido caro amigo
sou bandido das palavras
grou chinês antigo
um perigo

trago a sabedoria duvidosa
a beleza na formosa via errada
moderno é gay esquisito com cabelo colorido,
meu nome é van gosling eu sou bonito
vim das colinas mais distantes
nas mãos os diamantes
daqueles que controlam mentes
trago o suco da morte
tem a cor da sua alma
que o sabor mais forte
do marrom mais fosco mais cinzento
espalhado pelo chão no crime violento
não é nada mais não é nada não é máfia
não é nada que é normal que é legal ou ilegal
livre favelização da gás para as máfias
mentiras delícias milícias malícias

quanta maledicência grudada caro poeta
seicentas tranqueiras numa fedorenta buceta
entendo bem este nobre vil sentimento de amargor

travor na língua, aguá verde abacate gatorade verde-limão
cianobactérias proliferam-se na minha língua
como crocodilos pulam das pupilas gustativas
amarga tentantiva de ser morta e ser viva
no pântano na sombra vivo a via destemida

certo dia solitário
estudo o eu obtuso
e descubro que o eu verdadeiro
é maior
é melhor
entendo o ontem, o hoje e principalmente
que o amanhã não existe

maldita insatisfação
bendita indagação
na mesma onda
sempre surfarás
mas o mar sempre
será outro

vida, ó vida vadia
bandida, bendita vida
vi através da vitrine
a alma vazia
que passava
vi o vasto mundo
não a importunava
sê livre mané
só isso

poeta imperfeito
o futuro não existe
foda-se se ele é triste
não faça desfeita
desse vez se enjeita
seja deusa ou dona ou dama
seja mais do que a palavra
saiba que o passado é ilusão
pobres planos,são
migalhas na poeira
do infinito
o presente é mais bonito
saiba disso
tenho dito

pela primeira vez editado, Van Gosling cospe forte

Somos sujos

que cor é essa?

Somos do esgoto, sujos.
Curtindo poesia-merda-cocô,
cianobactérias, gatoradeverdeatômico,
sopa de ervilha que o moscatelli falou.

Nessa fedentina
nem incenso me anima,
ânimo exaltado pelo cheiro do metano,
sulfídrico surfante no tapete d´alga mutante

Hesitante lodo…ovo podre…ovo da serpente-crocodilo;
Nesse instante nasce fulgurante neste seu cascudo estilo;
No esgoto, nosseu próprio perdigoto
nunca nunca se esgota, não seja idiota.

Biólogo Mário Moscatelli

Na margem do rio

Vocêu não estamos entendendo

Andam respirando ácidos vapores

Esta fumaça leitosa que d´água sobe

Névoa maligna, eflúvios em sua fronte

Será a razão de tanta mágoa?

Envenena as mentes, penetráveis insolentes

É Tiririca ou Oiticica? Toda merda é titica?

Meu sonho de consumo é consumir um sonho insano

Sensações intermitentes, calafrios desumanos

Consumamos! Consumamos! Nessas tetas nós mamamos

Somos só trapos e panos. Estes dias estressantes

hão de nos tornar mutantes

respirando cigarrilhas, extorquindo camarilhas

vestindo-se com o couro do jacaré

extinto – seremos a mancha da tinta

o osso velho d ´um  arqueologista

estranhamento – esse estranho momento

é mais que poesia, foi como eu vi esse eterno dia

obra de Barbazul

Crocodilagem tem limite…

… mas somos nós, que convivemos com a decomposição cultural aguda, que devemos retribuir ao mundo a angústia de ter que tomar café da manhã às 7 da matina. Os detalhes de uma avenida empoeirada, abastada de veículos, que por sua vez são manipulados por seres ansiosos, me trazem à luz das idéias de que a Idade das Trevas se aproxima. Puta que pariu. Esta expressão é demais. A puta que pariu nosso mundo está longe de ser a mãe natureza.

Os celulares canalizam, as antenas desmoralizam e nossas latrinas continuam manchadas, pois o ser humano, ô coisinha feia, é o bicho mais escroto (me desculpem os Titãs) que pisam na face da Terra. Pior que barata. Pode crer. A conclusão que chego é que os conflitos não passam de uma necessidade MAIOR de diversão. As guerras existem por diversão. Só pode ser.

Eu me divirto pacas explodindo cabeças de alemães no game Call Of Duty. Por que será? As minas ficam putas da vida quando são trocadas, mesmo por alguns minutos, por estes jogos. Presenciei a ira de uma no último fim de semana. E outro dia minha irmã me perguntou porque os homens gostam tanto de games. Eu disse que é onde fazemos, sem maiores trabalhos, o que nascemos para fazer: matar com prazer. Mas eu lembrei também que tive uma namorada que também se amarrava em jogos. Ela inclusive passou de uma fase para mim no Medal Of Honor. Mas o que eu dia dizendo?

Ah, sim. Vou ter que ir nessa. Minha chefe chamou me para um cafézinho.

Leandro Barfly

Neste domingo na Lona de JPA

Flyer_Lona_Jpa

***AGENDA***

Domingo 07-06
Viradão Cultural – Lona Cultural de Jacarepaguá -20:00
Maré Cheia + Filhos da Judith + Homens do Pântano
PRAÇA GERALDO SIMONARD S/Nº PECHINCHA TELEFONE: 2425-4579/2425-0825, Rio de Janeiro


Quinta 18-06
Revolusom – Saloon 79, Rua Pinheiro Guimarães, 79
DSD + Vozes do Gueto + Homens do Pântano + Consciência Tranquila +Antizona + Armada
DJ KS, Grafite e B-BOYS

***MYSPACE***

Visite nosso http://www.myspace.com/homensdupantano, coloquei nossos singles com DJ Fluorenzo por lá.

***BAIXE***
Complete seu álbum de figurinhas já que coisas novas virão por aí:

Ep Pancadão de 5 + Capinha em PDF pronta pra imprimir

http://www.4shared.com/dir/6480957/38ee4c07/EP_-__Pancado_de_5.html

Nossos singles em parceria com DJ Fluorenzo

http://www.4shared.com/dir/6622962/ced89a6a/Remixes_e_singles.html

Alguns vídeos dos Homens do Pântano

http://www.4shared.com/dir/6523961/69f9de1b/Vdeos.html

Abraços de GrandmastaShakespear, novo contratado da banda para gerir essa bagaça