Revolucionário!

Soldado de um movimento perdido

escondido num pântano de idéias

comunica-se com um som longínquo

é surdo e emite em uníssono

não vê a luz

esconde-se por trás da máscara

é avis-rara

quando ele para?

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Crocodilagem tem limite…

… mas somos nós, que convivemos com a decomposição cultural aguda, que devemos retribuir ao mundo a angústia de ter que tomar café da manhã às 7 da matina. Os detalhes de uma avenida empoeirada, abastada de veículos, que por sua vez são manipulados por seres ansiosos, me trazem à luz das idéias de que a Idade das Trevas se aproxima. Puta que pariu. Esta expressão é demais. A puta que pariu nosso mundo está longe de ser a mãe natureza.

Os celulares canalizam, as antenas desmoralizam e nossas latrinas continuam manchadas, pois o ser humano, ô coisinha feia, é o bicho mais escroto (me desculpem os Titãs) que pisam na face da Terra. Pior que barata. Pode crer. A conclusão que chego é que os conflitos não passam de uma necessidade MAIOR de diversão. As guerras existem por diversão. Só pode ser.

Eu me divirto pacas explodindo cabeças de alemães no game Call Of Duty. Por que será? As minas ficam putas da vida quando são trocadas, mesmo por alguns minutos, por estes jogos. Presenciei a ira de uma no último fim de semana. E outro dia minha irmã me perguntou porque os homens gostam tanto de games. Eu disse que é onde fazemos, sem maiores trabalhos, o que nascemos para fazer: matar com prazer. Mas eu lembrei também que tive uma namorada que também se amarrava em jogos. Ela inclusive passou de uma fase para mim no Medal Of Honor. Mas o que eu dia dizendo?

Ah, sim. Vou ter que ir nessa. Minha chefe chamou me para um cafézinho.

Leandro Barfly

Lamento: On/Off

Marilene, lagartixa, quer ligar e desligar.

Notícias exasperam-se com a realidade

letras pulam

pululam sorrateiramente

saltam do papel

São tantos safados sem categoria

vilões de filmes-alegoria

verão velhas novidades gastas

documentos secretos numa pasta

o segredo da audiência da tv

e ter que ver a verdade que se lê

numa tela de cinema – lá vai ela

a mentira e a verdade

mutuamente amarradas

tem tumulto, altos brados, confusão

Uma sub-celebridade na televisão

Um troço escuso, um duro osso

Lá na porta da emetevê

Vários vídeos em plano americano

Filmam fatias sujas da política mesquinha

fatos e fotos embalam programas

Música, belas sinfonias e estranhas melodias

lançam modas fugidias – coloridas

customizadas com ardor, sem humor

É a cultura ou linha dura

É transcultura ou saracura?

Um game que clica, freneticamente pisca

É uma isca para epiléticos-masoquistas

Veêm o vento desvanecer-se

em pixels coloridos – em cores primárias

na teoria de Goethe não há lugar para o malgrado da saia-balonê

dos sans-cullotes televisivos, da maldita saruel

Ó  breve fútil cotidiano: pensamentos soltos numa cuia

avolumam-se em pilares – sustentáculos

que seguram tudo

torres vertiginosas que amansam a potência dos donos da verdade

É vida, é forma, é comportamente, é tudo isso e mais um pouco

moda, estilo, cultura, álbuns, dicas e artigos

no monitor do PC, ali na tela da TV

fiat lux

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