Pai nosso poético

crazy peruAmigavelmente discordando

pois sou eu mesmo um deus malandro

Dedico-me a dedilhar meu violino

componho árias melodiosas

não existe algo desse tino

são apenas mentiras graciosas

No mistério da vida

É mister saber que somos nada

Cada pedaço, uma parada

cada cabeça desmiolada

Folhas soltas ao vento

voltam violentas

doenças dentro

de uma rara cepa

vírus verão que

esta vertente vencerá

vamos nessa

rumo a morte

sem pressa

troco dois dedos de prosa

com os deuses e as deusas

meto medo nas medusas

largo o dedo nas confusas

saio correndo

mas não tenho medo

assassino sorrindo

vaticino um horrendo

fim

pra toda religião chinfrim

Gosto de tal ânsia

como um belo vômito

regurgita ideias toscas

empurra-as abismo abaixo

vamos cavar uma bela cova

para enterrar toda velha nova

imbecilidade atroz

comungo de seu pensamento

ser anta simplesmente

não adianta

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O jogo da vida

No jogo da vida

a bola muitas vezes é quadrada

Se a sua barriga

está criando vida própria

Deves saber a hora de parar

O alcool, as drogas, a vida desgregrada

Tudo isso o corpo castiga.

O corpo é maior que Deus.

Você é a força-motriz.

És sua própria meretriz

Arranque este mal pela raiz.

A ilusão controla toda mente fraca.

Sangue de barata, limpe suas patas antes de pisar

o solo sagrado do ser humano.

O planeta terra avisa: Deus nenhum está superior a mim.

Saltando de dentro da tela

Quem é quem nesse multiverso de fantasias. Na edição passada vimos que nossos heróis encontravam-se perdidos num limbo interdimensional. Através de um aplicativo transmutaram-se em pequenos íons. De dentro de seus leitores eletrônicos saltaram homens coloridos.

Esta literatura elétrica donde pulam super-humanos para a realidade não é um sonho. Da tela de cristal líquido, surgem sob o som de maviosas flautas os novos homens. O profeta, o hipocondríaco, o racional, o bêbado, o fanático, o estudioso e o desligado. Sete faces de um mesmo ser.

Neste tecnomundo, comentaristas e articulistas do vento apenas se dividem em diferentes doutrinas. Metade julga que o que passou passou e não importa mais. O outro terço julga que o passado passou mas é parte vital deste futuro distante. Como não sou bom em matemática, ficou faltando um pedaço que está  a cargo do leitor.

Temos tantas dúvidas. Nessa nossa nação pantanosa, somos super-vilões com frenéticos poderes. O poder de tirar poeira de velhos vinis. O poder de poder vencer, o poder de poder perder. Diretores que passaram por nossa sede sentem sede quando estão em contato conosco.

Acredito que devamos voltar para dentro do sonho. De dentro das telas de cristal líquido podemos vislumbrar as diferentes ondas. Não é crack, não é oxi, não é pó. É vida vivida em forma de gotas, em pequenas pílulas coloridas. Nada disso faz sentido. Viver não faz sentido.

Quando eu contei para Dr.Pangloss as dificuldades que estavamos sofrendo nessa aventura ele me aconselhou: “Querido Devianix III, você já deveria estar careca de saber que é preciso preencher todas as lacunas, nunca se deve terminar o dia sem coonestar um relatório diário completo. No meio do mês, uma prévia do relatório mensal e no fim do mês o dito cujo deve estar aqui presente no pendrive demoníaco de Deus – esta figura que reputo não existir.

De posse da arma Y, uma cortesia do profeta, meu amigo íntimo e um dos sete homens que saltaram da virtualidade para a realidade. Eu, Devianix III, herdeiro dos grande párias do multiverso, posso deslocar o prisma da insanidade. Quero, como bem disse um outro, fundar a Igreja dos Loucos. É isso, é isso! Como não pensei nisso antes.

Será uma comunhão de bizarros que salvará este pobre planeta, aqui o que se dá – planta. Pobre de mim – pobre de nós. Vamos acionar a arma Y e esperar para ver se o raio colorido que de lá sairá vai adiantar alguma coisa.

Devianix III

Tontura Piração Paraíso

vamos navio navegaí vazio

A piração junto com a mania
cria o mal estar e a fobia;
o desvio dá arrepio
e a certeza de ter escolhido certo
o caminho errado
quando o destino menino veneno
vira só o duodeno –
o apelo é a sequela
não inventa, se assemelha
está sempre a procura da centelha
incendeia, na candura da serpente que alheia
morde a nuca de todo aquele pretendente
a ser algo a ser mais do que só gente.

Arrastão

Cuidado com os arrastões mentais…
Podem botar fogo na sua cuca.

Tá carente de arte?
A gente parte esse bolo
e divide os pedaços
Cacete! Em parte,
a mente que arde (do tolo)
não vê, não sabe,
os erros crassos.

Íncrivel,
quanto mais tempo passa,
mais jovem fico.
Não sequele.
Não entre na onda errada.
Manifeste-se;
ofenda o próximo;
chute a cabeça dos imbecis.

Metaforicamente alcançará a epifania suicida.

E aí, quer morrer?
Saiba que
dEUs desistiu de ti
teu destino é ser xixi.

so-mos huma
passam a
sou só
só so
somas
santos
são som
deus sou
eu

nada-nódua-vento
leve
espaço
buraco
vazio
pouco quase brisa

Transcendência

guanabara

quero fazer uma revolução

quero fundar uma religião

só eu! você não

só eu! você não

Eu sou Deus, esse é o caminho

Trate-me com carinho

Eu nasci

Na história em quadrinho

Sou vários e estou sozinho

Zonzinho, zonzinho

Tonto de beber da fonte do poder

Eu só quero transcender

E você? E você?

Quer querer também

Ser mais do que ninguém

Ser simplesmente alguém

Postado por Zuleika Kid