Como surgiu a Cidadela Oeste

Em determinado momento a maioria já havia perecido. O céu cor de ocre deixava de ser apenas um delírio tornara-se há muito realidade. O ar rareava, lutavam os pulmões. Tinham sido avisados pelos ouvidos. Ouviram perfeita e claramente um som límpido e cristalino quanto límpido e cristalino pode ser o som. Ouviram e compreenderam as velhas novidades que os cientistas da Organização pregavam. Ouviram e ignoraram. Agora agonizam mutantes embaixo do horizonte plúmbeo.

Adaptaram-se as criaturas. A partir de então moléstias proliferaram-se, deram novo significado à palavra vida. Tão numerosas e diferenciadas entre si eram as espécies de arbovírus que de lá pra cá grassaram livremente pela superfície do planeta que tornou-se impossível distinguir entre a referida vida e seu oposto, a tal da morte. Espécies e subspécies se confudiram, mesclaram e fundiram-se.

O saber sofreu um baque, filósofos debateram o assunto por dezenas de séculos em sua incessante busca. A vida havia sido alterada na sua própria essência. Os que ainda debatiam esta condição o faziam ao lutar pela manutenção da mesma neste surrealista status quo que havia se tornado a vida.

Mantinham-se juntos nos poucos habitáculos que ainda permitiam atividade neurológica de alguma forma. Fora das Cidadelas era praticamente impossível distinguir um reles palmo a sua frente, quanto mais manter sua estrutura molecular intacta.

No início eram duas Cidadelas batizadas geograficamente como Leste e Oeste. Os orientais não mantiveram sua subsistência nos primeiros decênios do século $#&% e desapareceu todo o lado leste. Ironicamente, contam as lendas, que as palafitas afundaram num mar de enxofre.

Subsiste ainda a Cidadela Oeste.

Tandera, abrindo os portais do pântano

Na imagem abaixo, colhida pelos pincéis mágicos de Pedrim Peroba contemple o que sobrou da Cidadela Oriental

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Vazamento Vulnerabilidade Vida Ameaçada

vazamento muito maior, em TODOS os desastres ambientais a mentira chega antes,realidade é sempre bem pior, quem limpa aquela parada?
#chevron #petrobras #petroleo #vazamento #poço #ecologia #baleias #golfinhos #vulnerabilidade

Carta para a Natureza

Se tudo anda estranho, o melhor é superar com seu próprio intelecto. Se cada vez a esperança diminui, não há mais nada a fazer. Neste mundo imperfeito, cada gota de sangue é apenas uma migalha de pão amassado. Nunca fiz planos – mentira. Fizemos sim muitos planos e mais do que planos, sonhos. Pesadelos não aconteceram mas a simplicidade dos acontecimentos é o que nos acorrenta a esse chão barrento.

Na dúvida do que fazer? Faça como nós – faça nós. Desate depois e fique lembrando de como tudo era bom quando as coisas eram mais simples. Como a fumaça levava as idéias para dentro da cabeça. As certezas eram apenas incertezas e o duvidoso era o virtuoso. Numa tarde fria de outono lembre-se de como uma brisa amarga traz apenas lembranças da sessão da tarde poeirenta.

Recorde daquele seu disco velho, as emoções de um passado distante. Um passado onde o futuro se anunciava melhor. Mesmo agora sabendo que o futuro não existe. Filosoficamente continuamos nos perguntando – e tudo o que passou. Como armazenar tantas informações relevantes e conquistas irrelevantes. Como uma lista de spam-mail interminável que nunca é utilizada, como músicas perdidas nas nuvens.

As nuvens na internet são uma metáfora dos dias de hoje. Perdidas as informações bandidas precisam ser trazidas a tona por um funil poderoso. Era eu, eramos nós, eramos juntos mais fortes quando o sonho era apenas um vislumbre de uma união maior de forças que arregimenta que a soma das partes é realmente maior que o todo.

Nessa gestalt suburbana as vezes me vejo caminhando sozinho, pedalando solitário por aléias imaginárias, escapulindo dos animais feridos pelos seres humanos que teimam em se colocar no caminho da natureza. Minha amiga íntima, a tal natureza, vive se queixando comigo nos sonhos. Diz ela: E você? O que você anda fazendo por nós? Você já preparou aquele material? Já mandou aquela mensagem? Já sugeriu aquela sugestão? Já compôs uma nova canção falando do nosso futuro obscuro.

Eu respondo sempre:  Nat Natureba, entenda-me amiga, aqui no pântano, na Cidadela Oeste vivemos soterrados por volumes assombrosos de fumaça obscura, uma névoa cinzenta que sobe do complexo lacunar. Não nos deixa pensar, nos engana sobre a posição do sol. Nos ludibria sobre a noite e o dia. Pouco sabemos sobre nós mesmos. Pouco sabemos sobre o dia de hoje, quiçá o de amanhã, que nunca, nunca, nunca chegou e jamais chegará.

Por Devianix III

Cry for nature

There´s no need to understand life

Just live it

As long as you´re alive

It´s a blessing

From a God that does not exist

In your mind there´s a void

In your soul there´s no joy

Why live like that?

While forests are being torn down

Lakes are getting dry

Humans are to blame

Animals have no name

They just are

We rate beyond them

We play a dirty game

No one should complain

No one should demand

Let the music take your mind

Como assim? melhor que Alice no país das maravilhas, os pantanosos saem de dentro de espelhos e tentam mudar as realidade bizarras. Este mundo real está muito plástico, por isso a partir de agora vamos ficar somente dentro dos espelhos.

Para cada vidro quebrado um de nós se transformará em reflexo. Para cada caco de vidro, um corte será feito num pulso recalcitrante.

Se você não acha que isso é importante. Puxe um livro da estante. Leia sobre a poluição maldita. Sobre o fracasso da raça humana. O humano é a praga da terra e sinceramente muitas vezes perguntamos o que estamos fazendo aqui.

Comendo caqui? Fica com cica na boca. Seque o sapo da lagoa. Morrerá como jacaré faminto que apenas quer viver. Procurará como Capivara distinta que quer apenas uma casa. Mais o ser humano é o pior. Apenas um, apenas um homem pode matar mais de mil animais só com seu olhar assassino.

Pântano

Onde nascemos nós os mutantes
É o pântano pleno de água abundante
Charco plano cheio de vida
Mangue molhado da morte sofrida
Entulho atolado enlameado
Vapores sulforosos sobem rumo ao céu almiscarado
Pantanal, Paraguai, Manguetown
Para com isso pantaneiro
Inundação aqui no meu terreiro
do Brejo um beijo
lamaçal
Podre é o nosso poder
Nada aqui nunca resseca
Sapo, rã, jacaré, perereca
Maguari, socó, biguá já tá careca
Capivara, anta, onça
Todos juntos na mesma dança
Lá na casa do gambá
Vamos todos festejar
Aqui no pântano é o que há
Sabe lá se o sabiá sabia assoviar
Ele veio pra contar
É o must
ser lacustre
Vamos todos se afogar
Um gostinho desse lodo
Some partes mais que o todo

http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A2ntano

http://desciclo.pedia.ws/wiki/P%C3%A2ntano

Sucesso


Comigo o arrego é um apelo que prego
Engulo e carrego
Seu apego ao meu ego
Sossego é um amor cego como um morcego
Sucesso é o pescoço mordido do moço
Um troço tão doce
Marcado a foice
No fosso da noite, o osso e o açoite

Debulhado há meses pelo rimador de plástico GrandmastaShakespear

Pântano

Parados no tempo pereceremos aqui
paradoxal é o ponto de onde parti
para que pântano? tanta lama…
para que?

tantos temas
tantos tremas
palavras lentas
treme o trem
que traçou aqui
este traço torto
desta vi(d)a morta

podre pântano poderia ser puro

tento o tato tácito
por não ser político
mas eu sou polido
finjo, iludo,
sou o gatomestretudo
bem vindo
é lindo ser um cínico imundo

hey danny boy
somos emissários do inimigo
cuidado conosco caro amigo
visite nosso covil, nosso abrigo
serpentes penetrarão em seu umbigo
jacarés dormirão abraçados contigo
é o pântano querido!

Vômito viril

ver melhor quem vê vermelho

Ah querido quanto desamor há contigo,
sou também um tal bandido,
canto loas ao ferido.
Teço tramas invertidas
panos sujos fétidos.
Vi este vírus em mim
verás que nesse nosso jardim
brilham milhares de insetos assim:
anseiam ser deuses como nós
se desatarem-se desta outra voz

Esta vossa antropolomagia sonora é deveras inspiradora, neste era desencantadora, doura a aura de quem sonha.

deu galho!

ver pulsante o verde vivo
viva em mim o que é ativo
viva o neutrôn e o próton
viva o átomo eterno
viva o vivo
e viva o morto
pois o morto também
vivo
alimenta os vermes
desse jazigo.

A MORTE, essa sorte
levará-nos de consorte
abraçados.

Ah amigo lançaste sua lança e cravastes meu umbigo, sonhei ontem contigo – cantavas de  bigode na beira do precipício, eras um bardo grandiloquente que bradava a morte de cima do monte distante. Nada disso é diferente, sempre sabemos que o futuro é foda, uma ova vadia, uma foda vazia, o passado podre apenas parte do corpo do verme. Vá comigo pois sou deus nessa nova antireligião, desdeuse-se também é o caminho do bem?!…

Acabou a esperança

ficou tão bonitin!

ninguém nem sabe de nada
vai acabar o Brasil
vai ser só terra arrasada
depois do ano dois mil

neguinho nem leva fé
tá todo mundo mamando
eu vou fazer o meu pé
porque eu também sou malandro

vou derrubar esse árvore
e a floresta inteira
vou subir vários apê
que eu num tô de bobeira

naquele outro pedaço
que eu também vou desmatar
ainda não sei o que eu faço
por isso eu vou concretar

como desfaço esse laço
não vai sobrar nenhum traço
eu vou concretar
toda a floresta amazônica

Postado por Barão Motoserraman