PRISIONEIRO

As idéias se desenvolvem em velocidade estonteante
Ele manda em tudo, manipulação constante
Não obstante, não sou rápido o bastante para fugir desta cela
Atrás das grades fictícias, permaneço aprisionado
Vejo tudo sob o prisma enlouquecedor do encarcerado
Preso na própria cabeça.

Cuspido por Sombr-1-o

ESPÍRITOS

bozo

No Pântano, que afinal é tudo que sobrou, convivemos ombro a ombro com uma geração teleguiada. Telepaumandada,teleemburrecida, que tem mais é que se fuder mesmo. Verdadeiros espíritos que vagam perdidos num limbo interdimensional, palhaços sem rumo. Cegos num pântano enfumaçado pelos vapores psicopoluidores.

Jogado às traças por Barbazul

DORES

Adora a droga agora
Agoura a dor na hora
Embora a grana fora
Um dólar que grita:
Fora!

Cuspido por Sombr-1-o

O Galhofeiro

Extraído dos “Arquivos Secretos do Pântano” – Tomo II – Volume 5

O Galhofeiro

Manuel da Lubumba é a alcunha de batismo do escravo mais importante da Fazenda Cinco Flores em Pandinguaba. Dalubu é seu nome de fato, afinal esse é o som rápido e ríspido que invade seus ouvidos a cada vez que seus serviços são requisitados. Todos na fazenda o chamam assim, desde Seu Pedro Flores, o proprietário, até Zé Branquinho, ancião da senzala.

A cálida primavera de 1757 anunciou um daqueles verões derretedores de miolo no povoado de Pandinguaba. A abafada estação era sinal que o já árduo trabalho braçal dos escravos viria junto com um suadouro tremendo. O velho Pedro Flores planejava terminar a canalização do Ribeirão Amarelo antes da virada do ano e isso significava responsabilidade dobrada para Dalubu.

zumbi

O ponto exato onde estava sendo construída a tal barragem ficava a cerca de 30 léguas da sede da fazenda bem no alto de um morro. Seu Pedro praticamente não aparecia por lá, estava por demais ocupado com os grandes campos plantados que demoravam a vingar, vítimas do intenso calor que acometia Pandinguaba. Sendo assim, só sabia das notícias da canalização do Ribeirão através de recados dados por seu capataz Fernando Couto Meira.

A inteligência de Dalubu há muito o havia transformado em líder natural entre os negros. Seu fascinante olhar era tão dominador que até mesmo Seu Pedro sucumbira e o fez responsável por organizar o trabalho dos escravos. Senhor de todas aquelas terras e homem poderoso, afeito às grandes reuniões e as politicagens diversas de Pandinguaba, o velho Flores achou que domaria o ímpeto do inteligente escravo afeiçoando-se a ele e incentivando sua liderança.

Sob as ordens de Dalubu a paquidérmica obra avançou a passos gigantescos e antes mesmo do meio de novembro já estava pronta. Contudo, as notícias que chegavam a sede da Fazenda Três Flores não eram exatamente essas.

Fernando Couto Meira, preguiçoso como um porco, não se dava ao trabalho de ir até a longínqua obra. Era um empresa e tanto cavalgar até lá, visto que o caminho era pedregoso e cheio de matos altos, daqueles bem cheios de onças perigosas e índios que não avisam quando vão lançar suas flechas. Couto Meira andava até um posto no meio do caminho e ficava lá aguardando notícias enviadas por Catuaba, um negrinho franzino que fazia as vezes de emissário de Dalubu.

Catuaba era bisneto de Zé Branquinho e o que o velho negro tinha de sabedoria o pequeno Catuaba esbanjava em agilidade. Como um raio, serpenteava por entre as árvores e ia dar os tais recados mandados por Dalubu.

– Olhe seu Couto, deu uma bruta chuva na semana passada e tudo lá na represa do Ribeirão ficou atrasado. Nego Dalubu mandou avisar Seu Flores que a obra só fica pronta no final de dezembro.

Enquanto isso, Dalubu e seus asseclas escravos descansavam alegremente e riam-se a valer na nascente do Ribeirão no longínquo topo da montanha. Nascia o Estilo Galhofa.

Pretouro tesouro

escravos

Se este negro ouro
lavrado foi
por negras mãos
De todo lhe tiraram
As pernas, as mães
A alma
Nasce (será?)
Vive
Uma cidade sem alma
Uma alma penada
em forma de urbe
Urge um novo viver
Couro Preto
fez do ouro perto

Devolvido por Devianix III