O tom revoltou-se então

Sou um puro e amável guerreiro
Trago justiça no meu coração
Na luta desfaço-me inteiro
Morro, mas honro o Barão

Empunho punhais contra a gangue
E vejo verterem meu sangue

Mil gotas revoltas
Pingam no chão de terra
Viram sujas manchas
é o líquido-guerra
na viela das casas velhas
brotam rosas vermelhas

Revolucionário!

Soldado de um movimento perdido

escondido num pântano de idéias

comunica-se com um som longínquo

é surdo e emite em uníssono

não vê a luz

esconde-se por trás da máscara

é avis-rara

quando ele para?

Guerra das palavras internas

Guerra das palavras internas

Quando a poesia se desgrudou de mim

Um susto

Um grito

Nada sou

Quando sou menos do que a poesia

Fui embora

Depois que pensei

Sou Poe

Sou poeta

Sou pena

Apenas

Eu não sei se ela soltou de mim

OU se fui eu que fui à guerra.

Samurai de Miura

Escancarado por Barfly

Vejo fumaça, desgraça, ameaça…
Beijo na graça da menina que entrelaça
Com dedos, braços e perfume: mordaça!
Rezo todo dia por uma guerra que me faça
Vitória ao forte que sentará sobre a carcaça
E rapaz, pare de usar o que te embaça.
Desgostando e alimentando-se de roupas velhas como traça
Rebuscando ideologias mil para quem caça
Bem como o rato que vive de esgarça
És ou não couro de raça?

1272 – O símbolo da vitória.

por Negozul

A imagem representativa dos homens do pântano concebido por nosso companheiro Jonny B-Good me traz agridoces memórias. A visão de tal simbologia me lembrou um acontecimento ocorrido no longínquo ano de 1272.

Antes das batalhas que ocorreram naquela fatídica ocasião eu havia visto este mesmo símbolo em meus sonhos.

Uma sangrenta guerra rasga a fronteira entre a África e a Ásia. Lutavam em confraria os Samurais Zen e os povos mongóis contra os Besouros de Metal, estranhíssimos contigentes milicianos caucasianos em suas armaduras.

Inspirado pela visão onírica do símbolo, uni-me aos samurais do clã zen. O símbolo do pântano visto em meus encontros com Morfeu representa a união com os samurais zen. A visão equilibradora do desenho foi a responsável pela selagem absoluta do potencial dos arautos da guerra.

E ficamos sete semanas no campo de batalha. E aprendi o que eram as silenciosas palmas de uma mão só. Os guerreiros do furacão estavam tão imbuídos do objetivo da morte dos Besouros de Metal que mesmo em número muito menor triunfaram. Poucos sobreviveram para relatar estas lendas.

Quando os monges locais recontaram esta saga 100 anos depois já chamavam os Guerreiros Zen de Kamikazes, os deuses do vento. Em virtude da ampla utilização daquela técnica durante os conflitos.

Crocodilagem tem limite…

… mas somos nós, que convivemos com a decomposição cultural aguda, que devemos retribuir ao mundo a angústia de ter que tomar café da manhã às 7 da matina. Os detalhes de uma avenida empoeirada, abastada de veículos, que por sua vez são manipulados por seres ansiosos, me trazem à luz das idéias de que a Idade das Trevas se aproxima. Puta que pariu. Esta expressão é demais. A puta que pariu nosso mundo está longe de ser a mãe natureza.

Os celulares canalizam, as antenas desmoralizam e nossas latrinas continuam manchadas, pois o ser humano, ô coisinha feia, é o bicho mais escroto (me desculpem os Titãs) que pisam na face da Terra. Pior que barata. Pode crer. A conclusão que chego é que os conflitos não passam de uma necessidade MAIOR de diversão. As guerras existem por diversão. Só pode ser.

Eu me divirto pacas explodindo cabeças de alemães no game Call Of Duty. Por que será? As minas ficam putas da vida quando são trocadas, mesmo por alguns minutos, por estes jogos. Presenciei a ira de uma no último fim de semana. E outro dia minha irmã me perguntou porque os homens gostam tanto de games. Eu disse que é onde fazemos, sem maiores trabalhos, o que nascemos para fazer: matar com prazer. Mas eu lembrei também que tive uma namorada que também se amarrava em jogos. Ela inclusive passou de uma fase para mim no Medal Of Honor. Mas o que eu dia dizendo?

Ah, sim. Vou ter que ir nessa. Minha chefe chamou me para um cafézinho.

Leandro Barfly