O jacaré que morava na boca

josé jacaré collage

Meu nome é José Jacaré
moro dentro da boca dum zé-mané
Pequeno, vejo grande
Escondido, sei de tudo
Aguardando, a hora do bote
Alimento-me quando há sorte
Sou cascudo, sou forte
Sou sinistro, conheço a morte
Aguarde-me pois bolei um mote
e sei bem onde fica o norte

Desabafo real de um outsider arrependido

Na vida, muitas vezes a fama vem antes da realização.  Tantas pedras foram puladas, tantas noites de estudo, tanto tempo lamentando, aí quando o sucesso chega, a pessoa fica meio sem saber o que fazer com ele. A realização não quer dizer absolutamente que você será conhecido por fazer bem o que faz realmente bem. Muitos humanos pedantes fazem cara de pedintes ao contemplar seus feitos. Como saber o que é inveja e o que é admiração? As vezes a fama é de vagabundo, deslocado, desconectado do multiverso.

Quase sempre aquele que menospreza-te não possui a chave para o portal mágico. Só mentes avançadas atravessam o portal, já foi dito aqui e já foi dito em outros lugares. Todo o status-quo de nossa obra vacilante pende por demais de pontes frágeis, vaga solitária no topo de montanhas longínquas do sentido total. Dois mil anos de inferno, dois mil dias de inverno. Rimo rimas num caderno, um futuro tão incerto. Se cada uma dessas verdades se tornasse realidade, todo o sentido sumiria.

Mas e aí? Cada pergunta serve para engrandecer o grande sistema místico, onírico que nos retroalimenta. Saudades da cada mente desengonçada, de cada palavra mal colocada, de cada cérebro-mendigo, que vacilava por uma berlota de sentido num mundo enfumaçado e injusto. De dentro da gruta, gritavamos – Ei vocês, asseclas do poder constituído, olhem para nós, carregamos a verdade da rua suja, do esgoto, de cada perdigoto. Somos os monstros da lama, as criaturas do charco, somos a mentira em forma de palavras, somos a larva das lavras, somos a pepita escondida em baixo do tapete.

Como surgiu a Cidadela Oeste

Em determinado momento a maioria já havia perecido. O céu cor de ocre deixava de ser apenas um delírio tornara-se há muito realidade. O ar rareava, lutavam os pulmões. Tinham sido avisados pelos ouvidos. Ouviram perfeita e claramente um som límpido e cristalino quanto límpido e cristalino pode ser o som. Ouviram e compreenderam as velhas novidades que os cientistas da Organização pregavam. Ouviram e ignoraram. Agora agonizam mutantes embaixo do horizonte plúmbeo.

Adaptaram-se as criaturas. A partir de então moléstias proliferaram-se, deram novo significado à palavra vida. Tão numerosas e diferenciadas entre si eram as espécies de arbovírus que de lá pra cá grassaram livremente pela superfície do planeta que tornou-se impossível distinguir entre a referida vida e seu oposto, a tal da morte. Espécies e subspécies se confudiram, mesclaram e fundiram-se.

O saber sofreu um baque, filósofos debateram o assunto por dezenas de séculos em sua incessante busca. A vida havia sido alterada na sua própria essência. Os que ainda debatiam esta condição o faziam ao lutar pela manutenção da mesma neste surrealista status quo que havia se tornado a vida.

Mantinham-se juntos nos poucos habitáculos que ainda permitiam atividade neurológica de alguma forma. Fora das Cidadelas era praticamente impossível distinguir um reles palmo a sua frente, quanto mais manter sua estrutura molecular intacta.

No início eram duas Cidadelas batizadas geograficamente como Leste e Oeste. Os orientais não mantiveram sua subsistência nos primeiros decênios do século $#&% e desapareceu todo o lado leste. Ironicamente, contam as lendas, que as palafitas afundaram num mar de enxofre.

Subsiste ainda a Cidadela Oeste.

Tandera, abrindo os portais do pântano

Na imagem abaixo, colhida pelos pincéis mágicos de Pedrim Peroba contemple o que sobrou da Cidadela Oriental

As aventuras na Cidadela Oeste – Ouça e baixe

As Aventuras na Cidadela Oeste é o passeio onírico que os Homens do Pântano propõem a você. Uma viagem musical por um mundo apocaliptico situado em alguma dimensão entre o passado e o futuro. Camadas de guitarras setentistas, linhas de baixo com um pé no reggae, rap irônico e incisivo em cima de bases grooveadas temperadas com um cavaquinho psicodélico. Coloque no volume máximo e curta o som!

Sorte na vida


sabemos que o sabiá é sábio

ele sabe que o sabor da vida
é vaga
é vazia
efêmera
vaga perdida que vai e volta
lambendo areia

leva ocorpo do sabiá

lava a alma que vem de lá

voa longe o descontrole

vida que esvai-sem em letras, copializa a mente locuplantctanosa

– Um escritor que mora numa casa isolada num campo, num espaço bucólico, no topo da montanha, perto de uma mata/floresta, rodeada de verde. Um dia – constroem uma rodovia/ferrovia/maglev na porta da e toda a vida dele muda. várias versões em várias alternativas do tempo. São as dimensionais dimensões, imensas mesas onde mestres misturam o certo; o errado; num grande carteado.

– um homem sempre passa por uma esquina e vê uma pilha de livros/revistas esquecidos. Um dia resolve pegar um, é a senha para um processo kafkiano, de opressão pelo sistema. um roubo-problema. um esquema facilitador da inversão da versão moral totalizante da satisfação errada.

Como se a própria grama da gramática come-come-começasse a crescer para trás, de cabeça para baixo.

Podcast Pantaneiro – acabou o mundo – videos Miami Bass fodas

não acreditamos em teoria da conspiração, nós mesmo conspiramos atrás das portas
o mistério do planeta é que o ser humano é ao mesmo tempo o mais imbecil e o mais inteligente animal
Homens Do Pantano no mais famoso podcast da cidade – o belíssimo Caipirinha Apreciation Society -CAS – We love it!

clique aqui para saber tudo e muito mais ouvindo o podcast CAS

http://cas.podomatic.com/entry/index/2011-08-17T23_39_00-07_00

E como o bagulho tá doido, se liga nessa seleção de Miami Bass muito pancrazy, feita pelos parceiros Hélio Costa Costa e Luciano Luti


FIM

Começou…
Finalmente aproxima-se
A proximidade do fim
O fim se aproxima
Aproxima-se o fim
O fim está próximo
Perto de mim
Fim.

Cuspido por Sombr-1-o

Saltando de dentro da tela

Quem é quem nesse multiverso de fantasias. Na edição passada vimos que nossos heróis encontravam-se perdidos num limbo interdimensional. Através de um aplicativo transmutaram-se em pequenos íons. De dentro de seus leitores eletrônicos saltaram homens coloridos.

Esta literatura elétrica donde pulam super-humanos para a realidade não é um sonho. Da tela de cristal líquido, surgem sob o som de maviosas flautas os novos homens. O profeta, o hipocondríaco, o racional, o bêbado, o fanático, o estudioso e o desligado. Sete faces de um mesmo ser.

Neste tecnomundo, comentaristas e articulistas do vento apenas se dividem em diferentes doutrinas. Metade julga que o que passou passou e não importa mais. O outro terço julga que o passado passou mas é parte vital deste futuro distante. Como não sou bom em matemática, ficou faltando um pedaço que está  a cargo do leitor.

Temos tantas dúvidas. Nessa nossa nação pantanosa, somos super-vilões com frenéticos poderes. O poder de tirar poeira de velhos vinis. O poder de poder vencer, o poder de poder perder. Diretores que passaram por nossa sede sentem sede quando estão em contato conosco.

Acredito que devamos voltar para dentro do sonho. De dentro das telas de cristal líquido podemos vislumbrar as diferentes ondas. Não é crack, não é oxi, não é pó. É vida vivida em forma de gotas, em pequenas pílulas coloridas. Nada disso faz sentido. Viver não faz sentido.

Quando eu contei para Dr.Pangloss as dificuldades que estavamos sofrendo nessa aventura ele me aconselhou: “Querido Devianix III, você já deveria estar careca de saber que é preciso preencher todas as lacunas, nunca se deve terminar o dia sem coonestar um relatório diário completo. No meio do mês, uma prévia do relatório mensal e no fim do mês o dito cujo deve estar aqui presente no pendrive demoníaco de Deus – esta figura que reputo não existir.

De posse da arma Y, uma cortesia do profeta, meu amigo íntimo e um dos sete homens que saltaram da virtualidade para a realidade. Eu, Devianix III, herdeiro dos grande párias do multiverso, posso deslocar o prisma da insanidade. Quero, como bem disse um outro, fundar a Igreja dos Loucos. É isso, é isso! Como não pensei nisso antes.

Será uma comunhão de bizarros que salvará este pobre planeta, aqui o que se dá – planta. Pobre de mim – pobre de nós. Vamos acionar a arma Y e esperar para ver se o raio colorido que de lá sairá vai adiantar alguma coisa.

Devianix III

Carta para a Natureza

Se tudo anda estranho, o melhor é superar com seu próprio intelecto. Se cada vez a esperança diminui, não há mais nada a fazer. Neste mundo imperfeito, cada gota de sangue é apenas uma migalha de pão amassado. Nunca fiz planos – mentira. Fizemos sim muitos planos e mais do que planos, sonhos. Pesadelos não aconteceram mas a simplicidade dos acontecimentos é o que nos acorrenta a esse chão barrento.

Na dúvida do que fazer? Faça como nós – faça nós. Desate depois e fique lembrando de como tudo era bom quando as coisas eram mais simples. Como a fumaça levava as idéias para dentro da cabeça. As certezas eram apenas incertezas e o duvidoso era o virtuoso. Numa tarde fria de outono lembre-se de como uma brisa amarga traz apenas lembranças da sessão da tarde poeirenta.

Recorde daquele seu disco velho, as emoções de um passado distante. Um passado onde o futuro se anunciava melhor. Mesmo agora sabendo que o futuro não existe. Filosoficamente continuamos nos perguntando – e tudo o que passou. Como armazenar tantas informações relevantes e conquistas irrelevantes. Como uma lista de spam-mail interminável que nunca é utilizada, como músicas perdidas nas nuvens.

As nuvens na internet são uma metáfora dos dias de hoje. Perdidas as informações bandidas precisam ser trazidas a tona por um funil poderoso. Era eu, eramos nós, eramos juntos mais fortes quando o sonho era apenas um vislumbre de uma união maior de forças que arregimenta que a soma das partes é realmente maior que o todo.

Nessa gestalt suburbana as vezes me vejo caminhando sozinho, pedalando solitário por aléias imaginárias, escapulindo dos animais feridos pelos seres humanos que teimam em se colocar no caminho da natureza. Minha amiga íntima, a tal natureza, vive se queixando comigo nos sonhos. Diz ela: E você? O que você anda fazendo por nós? Você já preparou aquele material? Já mandou aquela mensagem? Já sugeriu aquela sugestão? Já compôs uma nova canção falando do nosso futuro obscuro.

Eu respondo sempre:  Nat Natureba, entenda-me amiga, aqui no pântano, na Cidadela Oeste vivemos soterrados por volumes assombrosos de fumaça obscura, uma névoa cinzenta que sobe do complexo lacunar. Não nos deixa pensar, nos engana sobre a posição do sol. Nos ludibria sobre a noite e o dia. Pouco sabemos sobre nós mesmos. Pouco sabemos sobre o dia de hoje, quiçá o de amanhã, que nunca, nunca, nunca chegou e jamais chegará.

Por Devianix III