O jacaré que morava na boca

josé jacaré collage

Meu nome é José Jacaré
moro dentro da boca dum zé-mané
Pequeno, vejo grande
Escondido, sei de tudo
Aguardando, a hora do bote
Alimento-me quando há sorte
Sou cascudo, sou forte
Sou sinistro, conheço a morte
Aguarde-me pois bolei um mote
e sei bem onde fica o norte

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Como surgiu a Cidadela Oeste

Em determinado momento a maioria já havia perecido. O céu cor de ocre deixava de ser apenas um delírio tornara-se há muito realidade. O ar rareava, lutavam os pulmões. Tinham sido avisados pelos ouvidos. Ouviram perfeita e claramente um som límpido e cristalino quanto límpido e cristalino pode ser o som. Ouviram e compreenderam as velhas novidades que os cientistas da Organização pregavam. Ouviram e ignoraram. Agora agonizam mutantes embaixo do horizonte plúmbeo.

Adaptaram-se as criaturas. A partir de então moléstias proliferaram-se, deram novo significado à palavra vida. Tão numerosas e diferenciadas entre si eram as espécies de arbovírus que de lá pra cá grassaram livremente pela superfície do planeta que tornou-se impossível distinguir entre a referida vida e seu oposto, a tal da morte. Espécies e subspécies se confudiram, mesclaram e fundiram-se.

O saber sofreu um baque, filósofos debateram o assunto por dezenas de séculos em sua incessante busca. A vida havia sido alterada na sua própria essência. Os que ainda debatiam esta condição o faziam ao lutar pela manutenção da mesma neste surrealista status quo que havia se tornado a vida.

Mantinham-se juntos nos poucos habitáculos que ainda permitiam atividade neurológica de alguma forma. Fora das Cidadelas era praticamente impossível distinguir um reles palmo a sua frente, quanto mais manter sua estrutura molecular intacta.

No início eram duas Cidadelas batizadas geograficamente como Leste e Oeste. Os orientais não mantiveram sua subsistência nos primeiros decênios do século $#&% e desapareceu todo o lado leste. Ironicamente, contam as lendas, que as palafitas afundaram num mar de enxofre.

Subsiste ainda a Cidadela Oeste.

Tandera, abrindo os portais do pântano

Na imagem abaixo, colhida pelos pincéis mágicos de Pedrim Peroba contemple o que sobrou da Cidadela Oriental

Cinzas do vulcão em Jacarepaguá?

Tandera acompanha um estranho fenômeno em Jacarepaguá. Cinzas do vulcão? Neve no Rio de Janeiro? Uma Queimada gigante?

1272 – O símbolo da vitória.

por Negozul

A imagem representativa dos homens do pântano concebido por nosso companheiro Jonny B-Good me traz agridoces memórias. A visão de tal simbologia me lembrou um acontecimento ocorrido no longínquo ano de 1272.

Antes das batalhas que ocorreram naquela fatídica ocasião eu havia visto este mesmo símbolo em meus sonhos.

Uma sangrenta guerra rasga a fronteira entre a África e a Ásia. Lutavam em confraria os Samurais Zen e os povos mongóis contra os Besouros de Metal, estranhíssimos contigentes milicianos caucasianos em suas armaduras.

Inspirado pela visão onírica do símbolo, uni-me aos samurais do clã zen. O símbolo do pântano visto em meus encontros com Morfeu representa a união com os samurais zen. A visão equilibradora do desenho foi a responsável pela selagem absoluta do potencial dos arautos da guerra.

E ficamos sete semanas no campo de batalha. E aprendi o que eram as silenciosas palmas de uma mão só. Os guerreiros do furacão estavam tão imbuídos do objetivo da morte dos Besouros de Metal que mesmo em número muito menor triunfaram. Poucos sobreviveram para relatar estas lendas.

Quando os monges locais recontaram esta saga 100 anos depois já chamavam os Guerreiros Zen de Kamikazes, os deuses do vento. Em virtude da ampla utilização daquela técnica durante os conflitos.

Let the music take your mind

Como assim? melhor que Alice no país das maravilhas, os pantanosos saem de dentro de espelhos e tentam mudar as realidade bizarras. Este mundo real está muito plástico, por isso a partir de agora vamos ficar somente dentro dos espelhos.

Para cada vidro quebrado um de nós se transformará em reflexo. Para cada caco de vidro, um corte será feito num pulso recalcitrante.

Se você não acha que isso é importante. Puxe um livro da estante. Leia sobre a poluição maldita. Sobre o fracasso da raça humana. O humano é a praga da terra e sinceramente muitas vezes perguntamos o que estamos fazendo aqui.

Comendo caqui? Fica com cica na boca. Seque o sapo da lagoa. Morrerá como jacaré faminto que apenas quer viver. Procurará como Capivara distinta que quer apenas uma casa. Mais o ser humano é o pior. Apenas um, apenas um homem pode matar mais de mil animais só com seu olhar assassino.

Pântano

Onde nascemos nós os mutantes
É o pântano pleno de água abundante
Charco plano cheio de vida
Mangue molhado da morte sofrida
Entulho atolado enlameado
Vapores sulforosos sobem rumo ao céu almiscarado
Pantanal, Paraguai, Manguetown
Para com isso pantaneiro
Inundação aqui no meu terreiro
do Brejo um beijo
lamaçal
Podre é o nosso poder
Nada aqui nunca resseca
Sapo, rã, jacaré, perereca
Maguari, socó, biguá já tá careca
Capivara, anta, onça
Todos juntos na mesma dança
Lá na casa do gambá
Vamos todos festejar
Aqui no pântano é o que há
Sabe lá se o sabiá sabia assoviar
Ele veio pra contar
É o must
ser lacustre
Vamos todos se afogar
Um gostinho desse lodo
Some partes mais que o todo

http://pt.wikipedia.org/wiki/P%C3%A2ntano

http://desciclo.pedia.ws/wiki/P%C3%A2ntano

Arrastão

Cuidado com os arrastões mentais…
Podem botar fogo na sua cuca.

Tá carente de arte?
A gente parte esse bolo
e divide os pedaços
Cacete! Em parte,
a mente que arde (do tolo)
não vê, não sabe,
os erros crassos.

Íncrivel,
quanto mais tempo passa,
mais jovem fico.
Não sequele.
Não entre na onda errada.
Manifeste-se;
ofenda o próximo;
chute a cabeça dos imbecis.

Metaforicamente alcançará a epifania suicida.

E aí, quer morrer?
Saiba que
dEUs desistiu de ti
teu destino é ser xixi.

so-mos huma
passam a
sou só
só so
somas
santos
são som
deus sou
eu

nada-nódua-vento
leve
espaço
buraco
vazio
pouco quase brisa

A cor do cheiro

a cor do cheiro dessa palavra

inebria-nos constantemente

sinto o odor da larva

que pulsa nascendo urgente

ela diz a verdade

que cabe em um poema

super grilous family

outros poemastem outras verdades

ela diz que somos estrelas

no céu;grãos

de areia

peças pequenas

no multiverso


veja só você


o inverso d´eu

é tu que somos todos

os gafanhotos golfando

as maçanetas de madeira morta

vasta floresta ombrando deus

deus obra sua deusdade sendo eu

dobrem-se impunes

não estão imunes

ao ódio meu

Pitangus sulphuratus

O sacrifício do sapo

surge o sábio sapo
urge que saiba que
o tal batráquio
pobre anfíbio ainda anseia
uma ânsia de ser sapo
e não ser sopa
nem ser saco

A vida no mundo do sapo segue a sua própria lógica e sofre transmutações frequentes, seus próprios eus vivem realidades paralelas.

as maiores maluquices que a mente pode conceber
dever ser diariamente alimentadas
ao deslocar seus se os neurônios se de-loucam-se
em vez fumaça enfuma furando só os olhos que nâo veem
o mundo se mexendo sozinho zé
as cinzas sendo sensorialmente espalhadas
na floresta numa comunhão bonito-patética
na contramão da estética
sendo o sonho de ser só sapo
uma opção dialética
filosofo crocodilianamente
turbino com meu rabo cascudo
sai de cima papudo
tenho as mãos de veludo
roubo – sou um mentalbandido
velhos voltam na velocidade que os iludo
trago o antigo mito do fato novo
de novo tu pede socorro
eu corro
no escuro
é sempre foda
nessa hora
é sempre foda
empata-foda
empena roda
coda

Sonho bom

quando acordo catatônico

catando coisas pelo chão

preso num quarto sujo

escuridão

abro olhos entrelaçados

costurados com carniça

sempre esta mesma delícia

no reinado baudeleriano

me apresento todo ano

sou o bobo da corte brincando

sou o olho que vê o engano

o inverso o interno do seu corpo

já imaginou o tamanho do susto?

Será que encaras com gosto?

Sou malandro profundo desgosto

E eu trago só um balde de esgoto

Sempre anda comigo o desgosto

Que´ncosto