fast-poesia

 

na histeria do incompreendido 
os gritos se fazem escutar 
lancinantes lamentos 
um gigante descontente 

aponta para o alto 
e diz – eu sou mais eu 
ignoro o outro 
não existe mais ninguém 

mea-culpa 
sua rua é tosca e rota 
a rota é ruminante 
vai e volta num intervalo constante 

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O jacaré que morava na boca

josé jacaré collage

Meu nome é José Jacaré
moro dentro da boca dum zé-mané
Pequeno, vejo grande
Escondido, sei de tudo
Aguardando, a hora do bote
Alimento-me quando há sorte
Sou cascudo, sou forte
Sou sinistro, conheço a morte
Aguarde-me pois bolei um mote
e sei bem onde fica o norte

As aventuras na Cidadela Oeste – Ouça e baixe

As Aventuras na Cidadela Oeste é o passeio onírico que os Homens do Pântano propõem a você. Uma viagem musical por um mundo apocaliptico situado em alguma dimensão entre o passado e o futuro. Camadas de guitarras setentistas, linhas de baixo com um pé no reggae, rap irônico e incisivo em cima de bases grooveadas temperadas com um cavaquinho psicodélico. Coloque no volume máximo e curta o som!

Essa é a capa do nosso disco, confira aqui

O jogo da vida

No jogo da vida

a bola muitas vezes é quadrada

Se a sua barriga

está criando vida própria

Deves saber a hora de parar

O alcool, as drogas, a vida desgregrada

Tudo isso o corpo castiga.

O corpo é maior que Deus.

Você é a força-motriz.

És sua própria meretriz

Arranque este mal pela raiz.

A ilusão controla toda mente fraca.

Sangue de barata, limpe suas patas antes de pisar

o solo sagrado do ser humano.

O planeta terra avisa: Deus nenhum está superior a mim.

Caraca, é o Devianix III com seu chápeu interdimensional !

caraca, é o Devianix III com seu chápeu interdimensional! on Twitpic.

No mundo dos mundos diversos, encontra-se escondido o cavalheiro do chapéu branco que trará a discórdia, que semeará o caos, que anunciará o cataclisma iminente. Será o Começo do Fim do Mundo. Salva-se quem puder. Cuidado Santos Dumont, cuidado Sinhozinho Malta, cuidado Pai Barbazul. El Bigodón virá!

É pela pele

É pela pele

que afloram meus defeitos

pus quer sair pela pele

perebas, pústulas, caspa

defeitos intermitentes

pare

palavras novas

trazem dores antigas

palavras livres

loucas vidas

vivas

veja

as

aqui

numa piscina de fracassomaníacos nado contente

fixados em distorcer, estão distorcendo

o tempo

desafiando em ritmo lento

as amarraduras do status-quo

doenças aproximam-se

instala o alcoolismo, a compulsividade,

a loquacidade frenética do nada dizer

a velhice contumaz

o destino do jovem sucesso alheio, a dúvida e a culpa

o nada, os objetivos e tudo o que nos rodeia

quantas palavras dissociadas de significado

fermentam como cerveja, carburam, transformam-se

compostagem cerebral

saindo fora do normal

é assim o genial?

quantos mais acontece, menos eu sei

vou (vamos) desdeusizando tudo quanto podemos

quem saca a mensagem já volta correndo

pelo caminho do mundo ao-contrário

dos tijolos roxos que voam

saltitamos pedra a pedra

em direção a uma nuvem gasosa

um buraco transdimensional etéreo

la é o fim

que bom que chegou a hora de morrer


			

Saltando de dentro da tela

Quem é quem nesse multiverso de fantasias. Na edição passada vimos que nossos heróis encontravam-se perdidos num limbo interdimensional. Através de um aplicativo transmutaram-se em pequenos íons. De dentro de seus leitores eletrônicos saltaram homens coloridos.

Esta literatura elétrica donde pulam super-humanos para a realidade não é um sonho. Da tela de cristal líquido, surgem sob o som de maviosas flautas os novos homens. O profeta, o hipocondríaco, o racional, o bêbado, o fanático, o estudioso e o desligado. Sete faces de um mesmo ser.

Neste tecnomundo, comentaristas e articulistas do vento apenas se dividem em diferentes doutrinas. Metade julga que o que passou passou e não importa mais. O outro terço julga que o passado passou mas é parte vital deste futuro distante. Como não sou bom em matemática, ficou faltando um pedaço que está  a cargo do leitor.

Temos tantas dúvidas. Nessa nossa nação pantanosa, somos super-vilões com frenéticos poderes. O poder de tirar poeira de velhos vinis. O poder de poder vencer, o poder de poder perder. Diretores que passaram por nossa sede sentem sede quando estão em contato conosco.

Acredito que devamos voltar para dentro do sonho. De dentro das telas de cristal líquido podemos vislumbrar as diferentes ondas. Não é crack, não é oxi, não é pó. É vida vivida em forma de gotas, em pequenas pílulas coloridas. Nada disso faz sentido. Viver não faz sentido.

Quando eu contei para Dr.Pangloss as dificuldades que estavamos sofrendo nessa aventura ele me aconselhou: “Querido Devianix III, você já deveria estar careca de saber que é preciso preencher todas as lacunas, nunca se deve terminar o dia sem coonestar um relatório diário completo. No meio do mês, uma prévia do relatório mensal e no fim do mês o dito cujo deve estar aqui presente no pendrive demoníaco de Deus – esta figura que reputo não existir.

De posse da arma Y, uma cortesia do profeta, meu amigo íntimo e um dos sete homens que saltaram da virtualidade para a realidade. Eu, Devianix III, herdeiro dos grande párias do multiverso, posso deslocar o prisma da insanidade. Quero, como bem disse um outro, fundar a Igreja dos Loucos. É isso, é isso! Como não pensei nisso antes.

Será uma comunhão de bizarros que salvará este pobre planeta, aqui o que se dá – planta. Pobre de mim – pobre de nós. Vamos acionar a arma Y e esperar para ver se o raio colorido que de lá sairá vai adiantar alguma coisa.

Devianix III

Carta para a Natureza

Se tudo anda estranho, o melhor é superar com seu próprio intelecto. Se cada vez a esperança diminui, não há mais nada a fazer. Neste mundo imperfeito, cada gota de sangue é apenas uma migalha de pão amassado. Nunca fiz planos – mentira. Fizemos sim muitos planos e mais do que planos, sonhos. Pesadelos não aconteceram mas a simplicidade dos acontecimentos é o que nos acorrenta a esse chão barrento.

Na dúvida do que fazer? Faça como nós – faça nós. Desate depois e fique lembrando de como tudo era bom quando as coisas eram mais simples. Como a fumaça levava as idéias para dentro da cabeça. As certezas eram apenas incertezas e o duvidoso era o virtuoso. Numa tarde fria de outono lembre-se de como uma brisa amarga traz apenas lembranças da sessão da tarde poeirenta.

Recorde daquele seu disco velho, as emoções de um passado distante. Um passado onde o futuro se anunciava melhor. Mesmo agora sabendo que o futuro não existe. Filosoficamente continuamos nos perguntando – e tudo o que passou. Como armazenar tantas informações relevantes e conquistas irrelevantes. Como uma lista de spam-mail interminável que nunca é utilizada, como músicas perdidas nas nuvens.

As nuvens na internet são uma metáfora dos dias de hoje. Perdidas as informações bandidas precisam ser trazidas a tona por um funil poderoso. Era eu, eramos nós, eramos juntos mais fortes quando o sonho era apenas um vislumbre de uma união maior de forças que arregimenta que a soma das partes é realmente maior que o todo.

Nessa gestalt suburbana as vezes me vejo caminhando sozinho, pedalando solitário por aléias imaginárias, escapulindo dos animais feridos pelos seres humanos que teimam em se colocar no caminho da natureza. Minha amiga íntima, a tal natureza, vive se queixando comigo nos sonhos. Diz ela: E você? O que você anda fazendo por nós? Você já preparou aquele material? Já mandou aquela mensagem? Já sugeriu aquela sugestão? Já compôs uma nova canção falando do nosso futuro obscuro.

Eu respondo sempre:  Nat Natureba, entenda-me amiga, aqui no pântano, na Cidadela Oeste vivemos soterrados por volumes assombrosos de fumaça obscura, uma névoa cinzenta que sobe do complexo lacunar. Não nos deixa pensar, nos engana sobre a posição do sol. Nos ludibria sobre a noite e o dia. Pouco sabemos sobre nós mesmos. Pouco sabemos sobre o dia de hoje, quiçá o de amanhã, que nunca, nunca, nunca chegou e jamais chegará.

Por Devianix III

1272 – O símbolo da vitória.

por Negozul

A imagem representativa dos homens do pântano concebido por nosso companheiro Jonny B-Good me traz agridoces memórias. A visão de tal simbologia me lembrou um acontecimento ocorrido no longínquo ano de 1272.

Antes das batalhas que ocorreram naquela fatídica ocasião eu havia visto este mesmo símbolo em meus sonhos.

Uma sangrenta guerra rasga a fronteira entre a África e a Ásia. Lutavam em confraria os Samurais Zen e os povos mongóis contra os Besouros de Metal, estranhíssimos contigentes milicianos caucasianos em suas armaduras.

Inspirado pela visão onírica do símbolo, uni-me aos samurais do clã zen. O símbolo do pântano visto em meus encontros com Morfeu representa a união com os samurais zen. A visão equilibradora do desenho foi a responsável pela selagem absoluta do potencial dos arautos da guerra.

E ficamos sete semanas no campo de batalha. E aprendi o que eram as silenciosas palmas de uma mão só. Os guerreiros do furacão estavam tão imbuídos do objetivo da morte dos Besouros de Metal que mesmo em número muito menor triunfaram. Poucos sobreviveram para relatar estas lendas.

Quando os monges locais recontaram esta saga 100 anos depois já chamavam os Guerreiros Zen de Kamikazes, os deuses do vento. Em virtude da ampla utilização daquela técnica durante os conflitos.