Será que se fosse assim?

Homem-Ampulheta
Não vê o tempo
Passar
Vê o mundo
Deslocar-se
Se o se jogasse
Seria outro jogo!

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Vômito viril

ver melhor quem vê vermelho

Ah querido quanto desamor há contigo,
sou também um tal bandido,
canto loas ao ferido.
Teço tramas invertidas
panos sujos fétidos.
Vi este vírus em mim
verás que nesse nosso jardim
brilham milhares de insetos assim:
anseiam ser deuses como nós
se desatarem-se desta outra voz

Esta vossa antropolomagia sonora é deveras inspiradora, neste era desencantadora, doura a aura de quem sonha.

deu galho!

ver pulsante o verde vivo
viva em mim o que é ativo
viva o neutrôn e o próton
viva o átomo eterno
viva o vivo
e viva o morto
pois o morto também
vivo
alimenta os vermes
desse jazigo.

A MORTE, essa sorte
levará-nos de consorte
abraçados.

Ah amigo lançaste sua lança e cravastes meu umbigo, sonhei ontem contigo – cantavas de  bigode na beira do precipício, eras um bardo grandiloquente que bradava a morte de cima do monte distante. Nada disso é diferente, sempre sabemos que o futuro é foda, uma ova vadia, uma foda vazia, o passado podre apenas parte do corpo do verme. Vá comigo pois sou deus nessa nova antireligião, desdeuse-se também é o caminho do bem?!…

A água-louca!

um traço de nada

um troço, um ínfimo descaso esquecido

mais jamais esquecerás que isto está grudado em você

mil manchas indeléveis em seu couro …

só o canto as libertará

de sua jaula só o poema é a chave

do imaginário precipício que despencas

não há pára-quedas

não há regras

só há

o ar