Dizendo tudo aquilo que é indizível

Diga agora garoto

Diga agora garoto

A poesia diz o que ninguém mais diz

os discursos esquecidos

as lamentações bizarras

o maniqueísmo underground

Do fundo do poço

emerjo só osso

falanges teclam ideias

desconexas – dentro de suas sinapses

Tudo começa a fazer sentido

Aquilo que foi esquecido

Inimaginável amor bandido

Letras love me

Elas párias velhas

Surgem de cada recôndito

Para atacar o seu cérebro

Sinta-se ameaçado

Quiçá esta saraivada poética

Faça-te flanar como uma herética

que blasfema contra tudo

que é sagrado

aqui do meu lado

cada poesia vale  um dia

cada verso

um universo

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É pela pele

É pela pele

que afloram meus defeitos

pus quer sair pela pele

perebas, pústulas, caspa

defeitos intermitentes

pare

palavras novas

trazem dores antigas

palavras livres

loucas vidas

vivas

veja

as

aqui

numa piscina de fracassomaníacos nado contente

fixados em distorcer, estão distorcendo

o tempo

desafiando em ritmo lento

as amarraduras do status-quo

doenças aproximam-se

instala o alcoolismo, a compulsividade,

a loquacidade frenética do nada dizer

a velhice contumaz

o destino do jovem sucesso alheio, a dúvida e a culpa

o nada, os objetivos e tudo o que nos rodeia

quantas palavras dissociadas de significado

fermentam como cerveja, carburam, transformam-se

compostagem cerebral

saindo fora do normal

é assim o genial?

quantos mais acontece, menos eu sei

vou (vamos) desdeusizando tudo quanto podemos

quem saca a mensagem já volta correndo

pelo caminho do mundo ao-contrário

dos tijolos roxos que voam

saltitamos pedra a pedra

em direção a uma nuvem gasosa

um buraco transdimensional etéreo

la é o fim

que bom que chegou a hora de morrer


			

Carta para a Natureza

Se tudo anda estranho, o melhor é superar com seu próprio intelecto. Se cada vez a esperança diminui, não há mais nada a fazer. Neste mundo imperfeito, cada gota de sangue é apenas uma migalha de pão amassado. Nunca fiz planos – mentira. Fizemos sim muitos planos e mais do que planos, sonhos. Pesadelos não aconteceram mas a simplicidade dos acontecimentos é o que nos acorrenta a esse chão barrento.

Na dúvida do que fazer? Faça como nós – faça nós. Desate depois e fique lembrando de como tudo era bom quando as coisas eram mais simples. Como a fumaça levava as idéias para dentro da cabeça. As certezas eram apenas incertezas e o duvidoso era o virtuoso. Numa tarde fria de outono lembre-se de como uma brisa amarga traz apenas lembranças da sessão da tarde poeirenta.

Recorde daquele seu disco velho, as emoções de um passado distante. Um passado onde o futuro se anunciava melhor. Mesmo agora sabendo que o futuro não existe. Filosoficamente continuamos nos perguntando – e tudo o que passou. Como armazenar tantas informações relevantes e conquistas irrelevantes. Como uma lista de spam-mail interminável que nunca é utilizada, como músicas perdidas nas nuvens.

As nuvens na internet são uma metáfora dos dias de hoje. Perdidas as informações bandidas precisam ser trazidas a tona por um funil poderoso. Era eu, eramos nós, eramos juntos mais fortes quando o sonho era apenas um vislumbre de uma união maior de forças que arregimenta que a soma das partes é realmente maior que o todo.

Nessa gestalt suburbana as vezes me vejo caminhando sozinho, pedalando solitário por aléias imaginárias, escapulindo dos animais feridos pelos seres humanos que teimam em se colocar no caminho da natureza. Minha amiga íntima, a tal natureza, vive se queixando comigo nos sonhos. Diz ela: E você? O que você anda fazendo por nós? Você já preparou aquele material? Já mandou aquela mensagem? Já sugeriu aquela sugestão? Já compôs uma nova canção falando do nosso futuro obscuro.

Eu respondo sempre:  Nat Natureba, entenda-me amiga, aqui no pântano, na Cidadela Oeste vivemos soterrados por volumes assombrosos de fumaça obscura, uma névoa cinzenta que sobe do complexo lacunar. Não nos deixa pensar, nos engana sobre a posição do sol. Nos ludibria sobre a noite e o dia. Pouco sabemos sobre nós mesmos. Pouco sabemos sobre o dia de hoje, quiçá o de amanhã, que nunca, nunca, nunca chegou e jamais chegará.

Por Devianix III

Calor

Eu não sinto a dor do amor
Existe mesmo ardor?
Amor falso e menor
Sabor que já sei de cor
Pra mim o amor morreu
Pra mim o amor sou eu

Cuspido por Sombr-1-o

Fermento da mente

aqui é o prelúdio

no prelúdio do sentimento
o cofre engole a própria chave
febris folhas voam a procura do
seu dono verdadeiro – o dinheiro

sem saber que mexer ali era perigoso
andou e voltou ao mesmo sereno latente
perfumes pérfidos perversos brotam
do âmago do sobrenatural interno

como se o padrão fosse o patrão
como se a invasão invertesse a inversão
sorrateiramente homenageamos as risadas
as mais gastas, as mais merdas

bocejo, ponto de interrogação
esporte mata televisão tormenta
todos os torrents apontam para uma
torrente de torração de saco

piu

Silicose mental

Urubus farejam a nova carniça,

cutucam, mordiscam,  não são ameaça.

Tão forte viva morte me atiça,

todos juntos aspirando cinzas

saídas da vulva de um vulcão psicótico

Pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico.

Esta vida não tem versão beta;

morte eterna jamais inquieta,

em sumo meu sonho de consumo é consumir um sonho

Morfeu defunto morreu risonho.

Por Sombr-1-o

Na margem do rio

Vocêu não estamos entendendo

Andam respirando ácidos vapores

Esta fumaça leitosa que d´água sobe

Névoa maligna, eflúvios em sua fronte

Será a razão de tanta mágoa?

Envenena as mentes, penetráveis insolentes

É Tiririca ou Oiticica? Toda merda é titica?

Meu sonho de consumo é consumir um sonho insano

Sensações intermitentes, calafrios desumanos

Consumamos! Consumamos! Nessas tetas nós mamamos

Somos só trapos e panos. Estes dias estressantes

hão de nos tornar mutantes

respirando cigarrilhas, extorquindo camarilhas

vestindo-se com o couro do jacaré

extinto – seremos a mancha da tinta

o osso velho d ´um  arqueologista

estranhamento – esse estranho momento

é mais que poesia, foi como eu vi esse eterno dia

obra de Barbazul

No contexto do correto

Servindo o Paralax vemos que o feliz não é mais triste mas o gás tão necessário é escasso é fraco como moléculas que irrompem solenemente na esquina da vida. Filosofando carnavais serramos a própria perna e revivemos como num instant eternum karma machine. Deus Ex-machina, tudo isso num x-burger do Rio das Pedras.

Já mixamos metade do nosso disco. Você pode ouvir prévias no
http://www.myspace.com/homensdupantano

Ver um Youtubada das mixagens aqui ó

http://www.youtube.com/homensdopantano#p/u/0/T9x9DBdVFN4

Grutaria vjá voltou Ouça no mini-ipod da http://www.radiogruta.com
ou em http://www.grutaria.podomatic.com

E twitte q te ouço e te respondo

http://www.twitter.com/homensdopantano

Dei tb uma guaridaba no nosso Trama Virtual

http://www.tramavirtual.com.br/homens_do_pantano

Post fresco novo em folha

No deslumbre de ser multiplicado

Sendo vários e sendo um

Vejo o próprio rosto de enfado

Da velhice novidadeira que vem e zum

rapidamente apossa-se

num poço de podridão reverto o nada

apenas penso, sonho que realmente sou múltiplo

acredito que seja

cada dia acordo diferente

este post foi zero pensado

é apenas uma constatação frustrada

será que alguém ainda passa aqui?

no ar com íris no arco-íris

na dicotomia pebê

no saber ser você

Dadica

No fundo do Rio, choro

© Elaine Hill 2009 http://www.elainehill.co.uk

Nada é sonho. Quando estamos debaixo d´água. Afogados na ilusão que o topo é a saída. De nada adianta nadar até a outra margem do rio.

Mesmo perspicazes, às vezes eu e meus companheiros apenas remamos contra a maré. Ao contrário do que diz o ditado: quando a água bate na bunda não necessariamente aprendemos a nadar.

Morremos afogados, com uma pedra amarrada a nossos pés. Direto para o fundo, para o fundo de um poço sem fundo.

Enquanto outros brilham como o sol acima da linha d´água, permanecemos inertes, deitados, respirando lama. Solertes, desmiolados, sonhando com a superfície. Supérfluos, pedras, cascalhos no assoalho do ribeirão.

Postado por Sombr-1-o