10 razões para o suícidio

Torcida dos Homens do Pântano

1- Não completude dos planos secretos de sua mente

2- Decepções com o estado ecológico do multiverso

3- Descoberta das múltiplas dimensões alternativas

4- Ambivalência dos discursos terrenos

5- Superioridade da ideologia religiosa ignóbil e fraca

6- Inverdades que se multiplicam

7- A felicidade como obrigação

8- Acreditar que na outra vida existirão outras drogas mais poderosas

9- Desconhecimento total, pasmaceira terrível, o plano das idéias se agiganta

10- Tédio

Postado por Indignado Depressivo

Anúncios

É pela pele

É pela pele

que afloram meus defeitos

pus quer sair pela pele

perebas, pústulas, caspa

defeitos intermitentes

pare

palavras novas

trazem dores antigas

palavras livres

loucas vidas

vivas

veja

as

aqui

numa piscina de fracassomaníacos nado contente

fixados em distorcer, estão distorcendo

o tempo

desafiando em ritmo lento

as amarraduras do status-quo

doenças aproximam-se

instala o alcoolismo, a compulsividade,

a loquacidade frenética do nada dizer

a velhice contumaz

o destino do jovem sucesso alheio, a dúvida e a culpa

o nada, os objetivos e tudo o que nos rodeia

quantas palavras dissociadas de significado

fermentam como cerveja, carburam, transformam-se

compostagem cerebral

saindo fora do normal

é assim o genial?

quantos mais acontece, menos eu sei

vou (vamos) desdeusizando tudo quanto podemos

quem saca a mensagem já volta correndo

pelo caminho do mundo ao-contrário

dos tijolos roxos que voam

saltitamos pedra a pedra

em direção a uma nuvem gasosa

um buraco transdimensional etéreo

la é o fim

que bom que chegou a hora de morrer


			

FIM

Começou…
Finalmente aproxima-se
A proximidade do fim
O fim se aproxima
Aproxima-se o fim
O fim está próximo
Perto de mim
Fim.

Cuspido por Sombr-1-o

Saltando de dentro da tela

Quem é quem nesse multiverso de fantasias. Na edição passada vimos que nossos heróis encontravam-se perdidos num limbo interdimensional. Através de um aplicativo transmutaram-se em pequenos íons. De dentro de seus leitores eletrônicos saltaram homens coloridos.

Esta literatura elétrica donde pulam super-humanos para a realidade não é um sonho. Da tela de cristal líquido, surgem sob o som de maviosas flautas os novos homens. O profeta, o hipocondríaco, o racional, o bêbado, o fanático, o estudioso e o desligado. Sete faces de um mesmo ser.

Neste tecnomundo, comentaristas e articulistas do vento apenas se dividem em diferentes doutrinas. Metade julga que o que passou passou e não importa mais. O outro terço julga que o passado passou mas é parte vital deste futuro distante. Como não sou bom em matemática, ficou faltando um pedaço que está  a cargo do leitor.

Temos tantas dúvidas. Nessa nossa nação pantanosa, somos super-vilões com frenéticos poderes. O poder de tirar poeira de velhos vinis. O poder de poder vencer, o poder de poder perder. Diretores que passaram por nossa sede sentem sede quando estão em contato conosco.

Acredito que devamos voltar para dentro do sonho. De dentro das telas de cristal líquido podemos vislumbrar as diferentes ondas. Não é crack, não é oxi, não é pó. É vida vivida em forma de gotas, em pequenas pílulas coloridas. Nada disso faz sentido. Viver não faz sentido.

Quando eu contei para Dr.Pangloss as dificuldades que estavamos sofrendo nessa aventura ele me aconselhou: “Querido Devianix III, você já deveria estar careca de saber que é preciso preencher todas as lacunas, nunca se deve terminar o dia sem coonestar um relatório diário completo. No meio do mês, uma prévia do relatório mensal e no fim do mês o dito cujo deve estar aqui presente no pendrive demoníaco de Deus – esta figura que reputo não existir.

De posse da arma Y, uma cortesia do profeta, meu amigo íntimo e um dos sete homens que saltaram da virtualidade para a realidade. Eu, Devianix III, herdeiro dos grande párias do multiverso, posso deslocar o prisma da insanidade. Quero, como bem disse um outro, fundar a Igreja dos Loucos. É isso, é isso! Como não pensei nisso antes.

Será uma comunhão de bizarros que salvará este pobre planeta, aqui o que se dá – planta. Pobre de mim – pobre de nós. Vamos acionar a arma Y e esperar para ver se o raio colorido que de lá sairá vai adiantar alguma coisa.

Devianix III

Calor

Eu não sinto a dor do amor
Existe mesmo ardor?
Amor falso e menor
Sabor que já sei de cor
Pra mim o amor morreu
Pra mim o amor sou eu

Cuspido por Sombr-1-o

Eu sei

Quando tudo está dando errado – aplique a regra da super-surtação

lidere com seu carisma um bando de fanáticos

morrer é correr é poder é morder quem não é

calma

neste jogo decisivo e nervoso

respiro um tremendo sufoco

 um soco um golpe furioso

maldoso

minha lei é a lei

eu sei

eu sei

eu sei

eu sei

 

O Sonho

Aos pingos o que achavamos sólido se dilui
certezas escorrem por baixo da mesa
perguntas revolteiam num quicar insólito
e nunca o sonhado acontece.

O sonho – cada dia diferente
a vida – vazio vapor indiferente
conexão reiniciada
durante o carregamento da mágoa.

macaquices brasilianas

A coragem de recomeçar novamente
num circo infinito,
um ciclo bem cíclico.
A repetição do garoto-homem
duvidando da verdade da vida
dourado sonho no alto da montanha
um sábio barbudo me contou – era eu*
era deus que era eu
falou – Saia e conte essa novidade ao mundo
não existe salvação
não existe perdão
eu sou apenas um homem
um sábio barbudo
numa caverna imunda
que nada sei
pele
pelo
pulo…

Conta-gotas da tristeza absoluta

Conta-gotas da tristeza absoluta,
a mais cava depressão irresoluta.
A tremedeira completa
se avoluma com o fracasso.
Já o sucesso alheio
medido com parco traço.

yellow bird

Cuidado com o maldito recalque.
Pois, voraz, te come por dentro a inveja,
veloz, sangra peremptoriamente tua alma,
depois, o ópio, o vício, a fumaça,
inebria, meu pensamento – uma cachaça.
Bach, Borges, besteiras…
Brecht, Bloom, bobagens…
Busco no âmago a ânima utópica,
esta seta que jamais se endireita
alcança a razão eterna insatisfeita.

Grita mais, tá gritando pouco ainda. Aponta o dedo cara - é lá mermo sá´parada.

Se o trato era só viver – Meia-volta volver.
É correto apenas ser?
Ou é sensato transcender?
Como um porteiro que abre as portas do inferno…
Como um lixeiro que recolhe os recicláveis…
Como um urubu que alimenta-se de carniça…
Como uma onda que cessa de existir ao quebrar
na praia.

folhas verdes versos

A cor do cheiro

a cor do cheiro dessa palavra

inebria-nos constantemente

sinto o odor da larva

que pulsa nascendo urgente

ela diz a verdade

que cabe em um poema

super grilous family

outros poemastem outras verdades

ela diz que somos estrelas

no céu;grãos

de areia

peças pequenas

no multiverso


veja só você


o inverso d´eu

é tu que somos todos

os gafanhotos golfando

as maçanetas de madeira morta

vasta floresta ombrando deus

deus obra sua deusdade sendo eu

dobrem-se impunes

não estão imunes

ao ódio meu

Pitangus sulphuratus

No fundo do Rio, choro

© Elaine Hill 2009 http://www.elainehill.co.uk

Nada é sonho. Quando estamos debaixo d´água. Afogados na ilusão que o topo é a saída. De nada adianta nadar até a outra margem do rio.

Mesmo perspicazes, às vezes eu e meus companheiros apenas remamos contra a maré. Ao contrário do que diz o ditado: quando a água bate na bunda não necessariamente aprendemos a nadar.

Morremos afogados, com uma pedra amarrada a nossos pés. Direto para o fundo, para o fundo de um poço sem fundo.

Enquanto outros brilham como o sol acima da linha d´água, permanecemos inertes, deitados, respirando lama. Solertes, desmiolados, sonhando com a superfície. Supérfluos, pedras, cascalhos no assoalho do ribeirão.

Postado por Sombr-1-o