Dizendo tudo aquilo que é indizível

Diga agora garoto

Diga agora garoto

A poesia diz o que ninguém mais diz

os discursos esquecidos

as lamentações bizarras

o maniqueísmo underground

Do fundo do poço

emerjo só osso

falanges teclam ideias

desconexas – dentro de suas sinapses

Tudo começa a fazer sentido

Aquilo que foi esquecido

Inimaginável amor bandido

Letras love me

Elas párias velhas

Surgem de cada recôndito

Para atacar o seu cérebro

Sinta-se ameaçado

Quiçá esta saraivada poética

Faça-te flanar como uma herética

que blasfema contra tudo

que é sagrado

aqui do meu lado

cada poesia vale  um dia

cada verso

um universo

Verás que vales nada

vida vida humana vale nada
nosso romance é besta frente
esta grande frente quente
nós humanos somos só pretensiosos
mas a vingança virá,
ah sim,
ela virá

daqui para frente
decreta o poeta
proibido será ter sucesso
obrigatoriamente serás humilde
e é crime a confiança no próprio indivíduo

eu sei que sou máximo
total confiante
mas até mesmo
será proibido ganhar dinheiro
tudo deverá sim abastecer
os maledicentes e estranhos
cofres desta desrevolução

amarraremos teclados
grossas cordas mandam recados
ironia máxima quando
descomeça a vingança
ela virá!
ela virá?
virá ela?
a morte virá

Cuspido pelo sempre soturno Sombr-1-o, number-one do Cemitério