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angústia + conexão lenta + vários browsers = loucura

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Toka

Através dos relatos orais de seus habitantes, surgem as lendas do Pântano. Dom Élder é o nosso convidado de hoje, ele veio nos contar a história de…

Toka

Durante o pós-guerra, imigrou pra o Brasil uma família vinda do Japão arrasado. Talvez o melhor tivesse sido perecer em terras nipônicas. Trazendo sua esposa grávida de sete meses, o humilde agricultor já sentia os sintomas da radiação, todavia não desconfiava que um mal ainda pior descansava no ventre de sua amada.

Abalado pelos males radioativos, ele resistiu por parcos seis meses. A mãe ainda teve tempo de ensinar algumas coisas a sua prole recém-nascida, porém logo definhou e deixou a vida. A única coisa que a criança lembrava era o nome de seu pai, por quem a mãe sempre lembrava nas orações.

Acolhido pelo Orfanato Frei Luís, o pequeno órfão repetia insistentemente um nome: Toka. Recusava-se a pronunciar outras palavras. Quando atingira a idade de aproximadamente seis anos passou a manifestar estranhíssimos sinais de algum tipo de mutação. Sua inocente mente era perturbada por terríveis e abomináveis pesadelos que lhe acordavam freqüentemente no meio da madrugada.

Pouco a pouco, as outras crianças do orfanato criaram um temor de Toka (a única palavra que pronunciava passou a ser sua própria alcunha) e quando os adultos foram perceber isso já era muito tarde. O medo fez aflorar a perversidade natural das crianças. Maltratado e judiado em série, o pequenino e solitário Toka sofria em silêncio.

Durante uma dessas perversidades ele atingiu um índice elevado de nervosismo e pela primeira vez sentiu que seu ódio crescera tanto que seu próprio corpo e sangue radioativo estavam reagindo. Sua pele escureceu e seus olhos brilhavam num horrendo tom amarelo. Sem saber o que acontecia consigo, a pobre criatura percebeu o pavor das crianças e sentiu-se culpado pelo pânico e pelas lágrimas.

Os responsáveis pelo dormitório ouviram um tremendo alvoroço e partiram prontamente pra saber a causa do tumulto que já não os deixava dormir. Quando a porta do quarto se abriu Toka, com força desproporcional, arremessou o adulto a metros de distância e partiu pelas florestas do Jardim Boiúna.

Nunca mais foi visto.

Anos se passaram e talvez as matas da Taquara não fossem mais suficientes para abrigar Toka. Ele trocou sua morada isolada para as Colinas do Pau-ferro onde encontrava uma abundante fauna pra alimentação.

Os dias de isolamento da surreal criatura estavam contados e quando as obras da Linha Amarela começaram lá pelos idos dos anos 90 ele viu as coisas que aprendeu a amar serem destruídas. Máquinas e homens invadiam seu lar e Toka passou a atacar humanos durante o alvorecer. Poucos sobreviveram e relataram o ataque às autoridades. Ninguém nunca levou a história muito a sério e o caso foi abafado.

Vítima do homem e agora era visto como agressor, Toka era temido pelos moradores da região. Muitos negam a veracidade destes fatos, porém quem passa uma noite naquela mata e consegue voltar jura que viu algo de outro mundo.

Uma estranha criatura com gigantes globos oculares amarelados está permanentemente na espreita dos aventureiros todavia só anseia por sossego. Conta a lenda que todo aquele que tenta aproximação é dilacerado. Aquele lugar não é mais seguro já que Toka quer manter sua solidão e para isso não hesitará em acabar com vidas. No fundo de seu maltratado coração, ele amaldiçoou os homens que macularam sua paz.

Medindo em torno de 1,68 m, com braços longos e cabelos de cor negra até o chão, sua pele é de uma estranha matiz verde-esbranquiçada. Dotado de poderosa força e longevidade fora dos padrões humanos, Toka também desenvolveu garras poderosas como as de um urso. Aquele que ousar encarar os olhos de Toka entra em uma espécie de transe hipnótico e fica a mercê dos caprichos da criatura que muitas vezes escolhe copular com sua vítima hipnotizada.

Se no meio da madrugada, ouvires sussurros nas árvores. Corra! Toka tem fome e somente os inocentes gritos infantis podem fazer a fera recuar.

A cor do cheiro

a cor do cheiro dessa palavra

inebria-nos constantemente

sinto o odor da larva

que pulsa nascendo urgente

ela diz a verdade

que cabe em um poema

super grilous family

outros poemastem outras verdades

ela diz que somos estrelas

no céu;grãos

de areia

peças pequenas

no multiverso


veja só você


o inverso d´eu

é tu que somos todos

os gafanhotos golfando

as maçanetas de madeira morta

vasta floresta ombrando deus

deus obra sua deusdade sendo eu

dobrem-se impunes

não estão imunes

ao ódio meu

Pitangus sulphuratus

O segredo do meu sucesso

O segredo do fracassado profissional é um tentar

constante sempre perseguindo a desistência. Nunca

invejar o sucesso alheio pois isso pode alimentar a

o bate-volta em cadeia do mau agouro, do mau

olhado, da secação frenética e o pior de tudo – o

recalque maldito. Um loser como americanamente

poderiamos qualificar não se pauta simplesmente no

presente. Teima ele em sonhar sempre distante, num

utópico futuro longínquo sobrevivem seus sonhos

rarefeitos rodeados por nuvens alvas e céu azul

infinito.

nada


Quem espera sempre alcança é a lenda que os que

chegam primeiro contam aos últimos da fila. Sentado

na beira da estrada já vi vários tropeçarem na

pedra da humildade. Tento não tropeçar neste mesmo

empecilho mas parece que se não me humilho nada

consigo. Isso é papo de mau amigo.

amarelão

Um líder forte deve impor sua vontade cortando

cabeças e deixando membros despedeçados campo de

batalha afora. Afronta é ficar parado num canto só

lamentando e choramingando a sorte alheia e o azar

só seu.

Esse próprio texto sobrevive retroalimentando-se de

seu próprio paradoxo. Paralax diria que você

apenas é um bobo, chato, feio. Eu, nós, vós ou voz

dizemos mais. És um mala atroz, sem asas albatroz.

Uma seca foz, o sal que seca a voz.

Um susto assim é pouco para que um perceba o seu

destino neste universo ou nesse multiverso.

Multipliquem-cam-se os as redondilhas, as

quadrilhas de poetas assassinos. No Palácio Haxixin

várias putas para mim. Se ligou curumin?

O segredo do fracassado profissional é um tentar

constante sempre perseguindo a desistência. Nunca

invejar o sucesso alheio pois isso pode alimentar a

o bate-volta em cadeia do mau agouro, do mau

olhado, da secação frenética e o pior de tudo – o

recalque maldito. Um loser como americanamente

poderiamos qualificar não se pauta simplesmente no

presente. Teima ele em sonhar sempre distante, num

utópico futuro longínquo sobrevivem seus sonhos

rarefeitos rodeados por nuvens alvas e céu azul

infinito.

1.Comunicação

Balbucios que devem ser levados em conta na produção da arte do hoje:

Os avanços da comunicação tornaram o mundo muito menor, encurtaram distâncias e roubaram grande parte de nossa independência comunicativa. Hoje sempre se é possível alcançar, achar as pessoas. Diminuiu muito a privacidade. Devemos lutar pela volta da privacidade e pela volta da vida particular. O conceito de particular na verdade deve ser refeito. O Big Brother está aí e é um exemplo que não nos deixa mentir. Um jogo onde as pessoas são personas. Personagens mal-ajambrados de si mesmo com o intuito de ganhar dinheiro. Dinheiro é o ponto número 2.

Tandera, abrindo os portais do Pântano

Um futuro fudido

olhando pro futuro

saberá que no futuro o amor valerá créditos
dowloandáveis e trocáveis por mil traquintandas
interessantíssimas santíssimas trindades novas
dinheiro-moda-coração vazio
conecta sua mente
com a tomada mais próxima
quanto mais apaixonada estiveres
mais perto estarás daquela louis vitton tão desejada

a morte espreita

as vezes acho que eu sou mais que um
as vezes acho que eu sou você
e nós dois somados somos tudo
e divididos somos nada
e deuses que somos
podemos escolher
para onde
por que
e até quando
tudo acabará

chegou, acabou pra ele

Crocodilagem tem limite…

… mas somos nós, que convivemos com a decomposição cultural aguda, que devemos retribuir ao mundo a angústia de ter que tomar café da manhã às 7 da matina. Os detalhes de uma avenida empoeirada, abastada de veículos, que por sua vez são manipulados por seres ansiosos, me trazem à luz das idéias de que a Idade das Trevas se aproxima. Puta que pariu. Esta expressão é demais. A puta que pariu nosso mundo está longe de ser a mãe natureza.

Os celulares canalizam, as antenas desmoralizam e nossas latrinas continuam manchadas, pois o ser humano, ô coisinha feia, é o bicho mais escroto (me desculpem os Titãs) que pisam na face da Terra. Pior que barata. Pode crer. A conclusão que chego é que os conflitos não passam de uma necessidade MAIOR de diversão. As guerras existem por diversão. Só pode ser.

Eu me divirto pacas explodindo cabeças de alemães no game Call Of Duty. Por que será? As minas ficam putas da vida quando são trocadas, mesmo por alguns minutos, por estes jogos. Presenciei a ira de uma no último fim de semana. E outro dia minha irmã me perguntou porque os homens gostam tanto de games. Eu disse que é onde fazemos, sem maiores trabalhos, o que nascemos para fazer: matar com prazer. Mas eu lembrei também que tive uma namorada que também se amarrava em jogos. Ela inclusive passou de uma fase para mim no Medal Of Honor. Mas o que eu dia dizendo?

Ah, sim. Vou ter que ir nessa. Minha chefe chamou me para um cafézinho.

Leandro Barfly

Velocidade

Velocidade

Tão rápido

O que foi isso

E aquilo

Quem sou eu

Tão vazio

Aceleração

Turbo

Cavalos-vapor

Chipados

Tempo

Dias

Vidas

Não para

Esquizofrenicamente

Multi-tarefas

Objetivo

Eternizar um momento vulgar

Que momento?

O amanhã

Não para, não para, não para

Fotografa eterniza

Os fragmentos pós-modernos

Despedaçados

Não completos

Não dá tempo

Depois

agora

Relógio

Emails

Sites

bombardeio

Bip

celular

Imagens turvas

Olho não capta

Cérebro não capta

Armazenados no fundo

Vem a tona como tiros

Pensamentos natimortos

Lamento: On/Off

Marilene, lagartixa, quer ligar e desligar.

Notícias exasperam-se com a realidade

letras pulam

pululam sorrateiramente

saltam do papel

São tantos safados sem categoria

vilões de filmes-alegoria

verão velhas novidades gastas

documentos secretos numa pasta

o segredo da audiência da tv

e ter que ver a verdade que se lê

numa tela de cinema – lá vai ela

a mentira e a verdade

mutuamente amarradas

tem tumulto, altos brados, confusão

Uma sub-celebridade na televisão

Um troço escuso, um duro osso

Lá na porta da emetevê

Vários vídeos em plano americano

Filmam fatias sujas da política mesquinha

fatos e fotos embalam programas

Música, belas sinfonias e estranhas melodias

lançam modas fugidias – coloridas

customizadas com ardor, sem humor

É a cultura ou linha dura

É transcultura ou saracura?

Um game que clica, freneticamente pisca

É uma isca para epiléticos-masoquistas

Veêm o vento desvanecer-se

em pixels coloridos – em cores primárias

na teoria de Goethe não há lugar para o malgrado da saia-balonê

dos sans-cullotes televisivos, da maldita saruel

Ó  breve fútil cotidiano: pensamentos soltos numa cuia

avolumam-se em pilares – sustentáculos

que seguram tudo

torres vertiginosas que amansam a potência dos donos da verdade

É vida, é forma, é comportamente, é tudo isso e mais um pouco

moda, estilo, cultura, álbuns, dicas e artigos

no monitor do PC, ali na tela da TV

fiat lux

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