Desligando as conexões

Van Gosling pediu para que eu viesse aqui para contar uma coisa para vocês. A morte é fútil, nada mais é do que apenas um traço. A própria vida inexiste, apenas no pensamento dos livros não lidos, das páginas não escritas. De cada capítulo de sua vida, guardas um mágoa diferente. Na floresta das ilusões temos a impressão de que caem folhas que emanam um maná poderoso.

Um líquido divino que daria a juventude tenra, terna e eterna para cada um de nós. Será que isso realmente acontece. Alimente-se de sementes, alivie-se frente a frente com a fronte seca. Seque apenas o fluxo de consciência que escorre da sua mente. Meta a cara no pequeno vestíbulo que dá passagem interdimensional. Você conhece esse lugar? Já esteve lá? Como conhecer o momento delineador do seu futuro. Escuro…

Operação Matemática

angústia + conexão lenta + vários browsers = loucura

O jogo da vida

No jogo da vida

a bola muitas vezes é quadrada

Se a sua barriga

está criando vida própria

Deves saber a hora de parar

O alcool, as drogas, a vida desgregrada

Tudo isso o corpo castiga.

O corpo é maior que Deus.

Você é a força-motriz.

És sua própria meretriz

Arranque este mal pela raiz.

A ilusão controla toda mente fraca.

Sangue de barata, limpe suas patas antes de pisar

o solo sagrado do ser humano.

O planeta terra avisa: Deus nenhum está superior a mim.

Sorte na vida


sabemos que o sabiá é sábio

ele sabe que o sabor da vida
é vaga
é vazia
efêmera
vaga perdida que vai e volta
lambendo areia

leva ocorpo do sabiá

lava a alma que vem de lá

voa longe o descontrole

vida que esvai-sem em letras, copializa a mente locuplantctanosa

– Um escritor que mora numa casa isolada num campo, num espaço bucólico, no topo da montanha, perto de uma mata/floresta, rodeada de verde. Um dia – constroem uma rodovia/ferrovia/maglev na porta da e toda a vida dele muda. várias versões em várias alternativas do tempo. São as dimensionais dimensões, imensas mesas onde mestres misturam o certo; o errado; num grande carteado.

– um homem sempre passa por uma esquina e vê uma pilha de livros/revistas esquecidos. Um dia resolve pegar um, é a senha para um processo kafkiano, de opressão pelo sistema. um roubo-problema. um esquema facilitador da inversão da versão moral totalizante da satisfação errada.

Como se a própria grama da gramática come-come-começasse a crescer para trás, de cabeça para baixo.

Aventuras

nesta aventura

quando passos são dados

rumo ao vazio

sabemos que o caminho

é esse mesmo

no infinito sonhamos

com a calma eterna

da completude da missão

será que ela existe?

um caleidoscópio de possibilidades

irrompe como torrente

conseguiremos conseguir chegar

existe fim para essa trajetória

ou somente caminharemos

eternamente.

Caraca, é o Devianix III com seu chápeu interdimensional !

caraca, é o Devianix III com seu chápeu interdimensional! on Twitpic.

No mundo dos mundos diversos, encontra-se escondido o cavalheiro do chapéu branco que trará a discórdia, que semeará o caos, que anunciará o cataclisma iminente. Será o Começo do Fim do Mundo. Salva-se quem puder. Cuidado Santos Dumont, cuidado Sinhozinho Malta, cuidado Pai Barbazul. El Bigodón virá!

Abrindo os portões do futuro

Temos visto coisas estranhíssimas nos últimos dias. Vocês se lá estivessem não acreditaram. Todos que aqui visitam tem noção que na verdade não estamos aqui, não é mesmo? Pois é. Nesta nossa saga infinita para conseguirmos sair do pântano psico-poluidor que nos aprisiona, volta e meia conseguimos através de uma nesga enxergar traços da ignóbil realidade.

Mas aí perguntamos a nós mesmos. Será melhor viver assim na ilusão? Não sabemos. Recentemente recebemos a visita de Dundes, Fadas e Gnomos. Pequenos seres que convivem conosco normalmente aqui no limbo interdimensional que habitamos. Cansados de tanta mazela vemos através do espelho mágico que o futuro se imuscui com o passado e nada nunca muda.

Tentamos mudar nosso caminho mas prosseguimos na caminhada. Estamos constantemente tentando sair daqui para dar os recados que nos foram passados pelos nobres pequenos seres mágicos. A Mãe-Natureza que vive aqui no nosso colo, numa espécie de altar pára-religioso, misto de estátua e ser etéreo, ela cansa de nos deixar mensagens cifradas sobre como devemos proceder no caso de conseguirmos alcançar algum tipo de passagem.

Diz ela: Rapazes, caso vocês consigam abrir os famigerados portões, seja eles os de Zion ou outros quaisquer, devem estar preparados para a ignorância. O ser humano lá fora acha que é o dono do universo e o senhor do planeta. Mas ele é frágil e sabe muito pouco meus filhos. Por isso mando meus pequenos servos lhes avisar. O futuro não existirá a não ser que nós queiramos.



É pela pele

É pela pele

que afloram meus defeitos

pus quer sair pela pele

perebas, pústulas, caspa

defeitos intermitentes

pare

palavras novas

trazem dores antigas

palavras livres

loucas vidas

vivas

veja

as

aqui

numa piscina de fracassomaníacos nado contente

fixados em distorcer, estão distorcendo

o tempo

desafiando em ritmo lento

as amarraduras do status-quo

doenças aproximam-se

instala o alcoolismo, a compulsividade,

a loquacidade frenética do nada dizer

a velhice contumaz

o destino do jovem sucesso alheio, a dúvida e a culpa

o nada, os objetivos e tudo o que nos rodeia

quantas palavras dissociadas de significado

fermentam como cerveja, carburam, transformam-se

compostagem cerebral

saindo fora do normal

é assim o genial?

quantos mais acontece, menos eu sei

vou (vamos) desdeusizando tudo quanto podemos

quem saca a mensagem já volta correndo

pelo caminho do mundo ao-contrário

dos tijolos roxos que voam

saltitamos pedra a pedra

em direção a uma nuvem gasosa

um buraco transdimensional etéreo

la é o fim

que bom que chegou a hora de morrer


			

A tragédia final

Eu sinto que a tragédia final se aproxima rapidamente. Será lenta e constante. Não irromperá fulminante como um raio. Virá devagar mas virá logo. Um arbovírus violento dizimará dezenas, centenas, milhares. O grande problema da humanidade é achar que tem imunidade as suas próprias irresponsabilidades.  Já dizia o sábio István Mészáros, filósofo húngaro: “A ideia de crescimento eterno continua a ser a mitologia do nosso tempo.”

Tenho as certezas porque eu sou deus, não adianta se irritar com as barbaridades aqui cometidas. Essa certeza ignóbil e arrogante que arroto é sincera. Nossa divindade é apenas a consequência da lógica ilógica do planeta terra. A vida é um milagre terno, um milagre terreno. Nossa tênue existência está fadada ao fracasso mas é mágica. Nesse paradoxo intenso vivemos equilibrados como Zaratustra nas primeiras páginas de sua saga.

A simplicidade da morte é o símbolo maior de nossa estada aqui. Como sou superior porém igual a vocês, nem sempre consigo me fazer compreender. Demonizo os arautos religiosos pois eles não apresentam nenhuma capacidade de religar ninguém a nada. Apenas um controle asqueroso, uma manipulação barata. Aqui não violão.

Somos muitos e não paramos nem um minuto de modificar este reles planetinha. O capitalismo é a mais competente máquina de eficiência que já criamos. Dá conforto e gera destruição, meritocratiza tudo e todos e relega os párias a mendicidade. É fantástico enquanto poderosa bomba atômica. Na dialética tensa de sua loucura crescente muitas vezes me pego perguntando. Para quê tudo isso?

Não tente nos igualar pois é na diferença que crescemos, não tente diferenciar-nos pois é na igualdade que grassamos por esse mar de lama. Com a boca cheia de formigas, mastigamos pequenos insetos e nos perguntamos: Alimentamo-nos da morte alheia…Irei eu pro céu ou pro beleléu?

Quando sou parte desta engrenagem maldita que gera tanto sangue, sigo como autômato sacando macetes de inteligência competitiva. Mascarando espionagem funesta que perscruta os caminhos mais diversos na hora de sacar na boca oca do caixa automático. Dólares, dinares, débeis mentais movidos a moedas. Dinheiro desce a ladeira mas não responde pergunta.

O primeiro cadáver seguirá fedendo na sarjeta esquecido como um animal morto. Os animais estão dando o aviso. Feridos eles são os esquecidos, todavia como verdadeiros donos do pedaço vivem a nos mostrar que estamos no caminho errado. Não tá escutando cara? Não consegue ouvir o grito dos jacarés tendo seu couro arrancado, as capivaras alvejadas a tiro, os colhereiros com suas penas desbotadas, os gambás mutilados pelos pneus carecas reprovados em vistorias babacas. Não tá vendo? Tu tá cego cara? Não quer ver né.

Sem problemas, breve o próximo verme putrefacto andará sorridente por sua carne podre. Mordiscará as bordas suculentas de seu crânio limpo de pensamentos. Beliscará cada pedacinho de pele pendente de suas feridas abertas. Estas chagas latentes não te ensinarão nada pois você estará morto, falecido por um vírus desconhecido lascinante, capaz de apodrecer suas vísceras em três dias.

Carta para a Natureza

Se tudo anda estranho, o melhor é superar com seu próprio intelecto. Se cada vez a esperança diminui, não há mais nada a fazer. Neste mundo imperfeito, cada gota de sangue é apenas uma migalha de pão amassado. Nunca fiz planos – mentira. Fizemos sim muitos planos e mais do que planos, sonhos. Pesadelos não aconteceram mas a simplicidade dos acontecimentos é o que nos acorrenta a esse chão barrento.

Na dúvida do que fazer? Faça como nós – faça nós. Desate depois e fique lembrando de como tudo era bom quando as coisas eram mais simples. Como a fumaça levava as idéias para dentro da cabeça. As certezas eram apenas incertezas e o duvidoso era o virtuoso. Numa tarde fria de outono lembre-se de como uma brisa amarga traz apenas lembranças da sessão da tarde poeirenta.

Recorde daquele seu disco velho, as emoções de um passado distante. Um passado onde o futuro se anunciava melhor. Mesmo agora sabendo que o futuro não existe. Filosoficamente continuamos nos perguntando – e tudo o que passou. Como armazenar tantas informações relevantes e conquistas irrelevantes. Como uma lista de spam-mail interminável que nunca é utilizada, como músicas perdidas nas nuvens.

As nuvens na internet são uma metáfora dos dias de hoje. Perdidas as informações bandidas precisam ser trazidas a tona por um funil poderoso. Era eu, eramos nós, eramos juntos mais fortes quando o sonho era apenas um vislumbre de uma união maior de forças que arregimenta que a soma das partes é realmente maior que o todo.

Nessa gestalt suburbana as vezes me vejo caminhando sozinho, pedalando solitário por aléias imaginárias, escapulindo dos animais feridos pelos seres humanos que teimam em se colocar no caminho da natureza. Minha amiga íntima, a tal natureza, vive se queixando comigo nos sonhos. Diz ela: E você? O que você anda fazendo por nós? Você já preparou aquele material? Já mandou aquela mensagem? Já sugeriu aquela sugestão? Já compôs uma nova canção falando do nosso futuro obscuro.

Eu respondo sempre:  Nat Natureba, entenda-me amiga, aqui no pântano, na Cidadela Oeste vivemos soterrados por volumes assombrosos de fumaça obscura, uma névoa cinzenta que sobe do complexo lacunar. Não nos deixa pensar, nos engana sobre a posição do sol. Nos ludibria sobre a noite e o dia. Pouco sabemos sobre nós mesmos. Pouco sabemos sobre o dia de hoje, quiçá o de amanhã, que nunca, nunca, nunca chegou e jamais chegará.

Por Devianix III